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“Precisamos achar uma alternativa para apoiar o povo indígena"

No Dia do Índio, relatos revelam que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade de direitos

         

No início do mês, o Museu Antropológico Diretor Pestana MADP/Unijuí, que funciona em conjunto com a Universidade, abriu a exposição “Povos Indígenas – Identidade, Diversidade e Direitos”. Na ocasião, o cacique Kaingang, Adilson Policena, falou sobre a necessidade de se debater a situação dos indígenas na sociedade: “precisamos achar uma alternativa para apoiar o povo indígena. Temos orgulho do nosso povo estar aqui vendendo artesanato, mas queremos que ele tenha o mínimo de apoio, condições mínimas de humanidade para viver. Não há ninguém melhor para levantar essas questões do que a Universidade e nós apoiamos e estamos dentro dela. A Universidade tem o papel de fazer a juventude ter esses questionamentos e lembrar que a questão indígena tem que ser discutida a qualquer hora”. De fato, é preciso falar sobre isso. 

Um relatório da Organizações das Nações Unidas, entregue no ano passado, revelou que a situação de violência enfrentada pelos indígenas no Brasil é a pior desde 1988. Segundo o assessor do Conselho de Missão entre Povos Indígenas – COMIN, Sandro Luckmann, a discriminação e o preconceito são grandes aqui na região Sul também: "os indígenas estão, inclusive, fazendo denúncias no Ministério Público para buscar soluções jurídicas para essas situações de violência, que se dão por preconceito, e com a ideia de invisibilizar e tirar o direito do indígena de ter seu papel como membro participativo da sociedade. Assim são negados seus direitos e são deixados vivendo em beiras de estrada, sem acesso à politicas públicas". 

Atualmente, no Brasil, existem mais de  300 povos indígenas, que falam mais de 200 línguas. De acordo com Luckmann, o Brasil tem uma posição de destaque na América Latina, pois é o país que tem a maior sociodiversidade entre povos indígenas e o Rio Grande do Sul é o Estado com a 10ª maior concentração indígena no país. "Precisamos incluir essa população e deixar percepções erradas, como a de que o índio é atrasado, ou que se usa celular não é mais índio, essas são percepções que dificultam o diálogo aberto e não permitem ver a riqueza da diversidade que temos", destaca.

Indígenas na Universidade - Luckmann aponta que há mais de uma centena de indígenas frequentando Universidades. A nutricionista Leda Sales, de origem Kaingang, graduou-se na Unijuí e hoje se dedica a cuidar do seu povo. Leda nasceu na Tribo Palikur, às margens do Rio Uaçá, em Oiapoque-AP, divisa com a Guiana Francesa, mas cursou a sua graduação em Ijuí. Clique aqui e conheça a história dela.

Exposição no MADP - A Sala de Exposições Temporárias do MADP recebe até o dia 26 de maio a Exposição “Povos Indígenas – Identidade, Diversidade e Direitos”. A Exposição é composta por fotos cedidas pelo Conselho de Missão entre Povos Indígenas – COMIN e por atividades que permitem compreender na prática a realidade vivida pelos povos indígenas. Segundo Belair Stefanello, educadora do MADP, a função do Museu também é fazer questionar, “fazer com que a população sinta um pouco do que o povo indígena sentiu”. A exposição acontece com o apoio da 36ª Coordenadoria Regional de Educação - CRE e Secretaria Municipal de Educação de Ijuí - SMEd Ijuí. 

Foto: Acervo MADP


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