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Projeto da Unijuí visa reduzir o uso de defensivos e elevar a qualidade na produção da aveia

Apesar de ser coadjuvante entre as cultivares de inverno no país, a aveia está entre as principais culturas da Região Sul. Os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, em especial, se destacam na produção do grão. No estado gaúcho, segundo a Emater/RS-Ascar, há a expectativa do aumento da área de cultivo de aveia para a safra de 2017.

No ano passado, foram cultivados 227,6 mil hectares do grão. Na região noroeste do estado a produção também tem destaque. É por isso que, na Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí, em Ijuí, o projeto de pesquisa desenvolvido dentro do Departamento de Estudos Agrários busca aliar novas tecnologias à uma produção mais sustentável.

O professor José Antônio Gonzalez da Silva é um dos coordenadores do projeto “Avanços Tecnológicos na Produção de Aveia na Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul”. O objetivo é fomentar a cadeia de produção levando, aos agricultores, elementos que possam reduzir o uso de defensivos agrícolas e elevar a qualidade da produção. 

A Escola Fazenda da Universidade (Irder) destinou uma área experimental de dois hectares para que os estudos sejam aplicados. Há dois anos sendo desenvolvido, o projeto já realiza as atividades de teste. Atualmente, mais de 20 experimentos estão sendo feitos a campo e nos laboratórios da Universidade.

O projeto foi aprovado por meio dos Polos Tecnológicos e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado com um valor de cerca de R$1.300.000,00. A partir desse valor foram adquiridos equipamentos como a semeadeira e a colheitadeira de parcela, multiplantadeira, tratores, roçadeiras, trilhadeiras, descascadoras, estação meteorológica, enxadas rotativas, pulverizadores, medidores de umidade do solo, sensores de medição de clorofila, entre outros.

Os estudos buscam uma proposta de recomendação do redutor de crescimento em aveia e também a combinação mais ajustada entre nitrogênio e redutor de crescimento. De acordo com o professor, o uso do nitrogênio é importante para o aumento da produtividade, porém pode causar alguns transtornos na produção “além de favorecer o aumento da produção ele faz com que a planta cresça demais, se desenvolva demais e consequentemente forçando ela a acamar” comenta.

Acamamento é o termo usado quando a aveia cresce demais, se curva e toca o solo. O contato com o solo, e com a umidade, faz com que o produto deprecie, ou seja, perca o valor de qualidade. O objetivo, então, é combinar condições de uso de regulador de crescimento junto com melhores doses do uso de nitrogênio. “Usar melhores doses não significa aumentar as doses”, ressalta o professor. Outro ponto fundamental, de acordo com ele, é mudar a recomendação de densidades de cultivo da aveia atual. Essa, desenvolvida em 1990.  “A gente percebe que essa densidade de recomendação não condiz com o que é hoje o biotipo dessa aveia. Então a ideia é aumentar a quantidade de semente para verificar até que ponto se consegue mostrar o melhor padrão de qualidade, mas também “abafar” e não permitir que venha uma maior quantidade de espécies invasoras” explica o professor.

O projeto busca, ainda, identificar as variedades de aveia mais produtivas para o mercado consumidor.  Após os estudos e testes realizados, o objetivo do projeto é realizar dois cursos de capacitação para transferência das técnicas e dois dias de campo para a difusão das tecnologias testadas a campo para agricultores, funcionários de cooperativas e agroindústrias.


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