O professor Carlos Peixoto, do Departamento de Biologia e Química da UNIJUÍ, participou do 4º Fórum de Coordenadores de Cursos de Graduação em Química, promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ), nos dias 13 e 14 de outubro, em São Paulo. Os principais temas tratados foram a formação e a qualificação de docentes do ensino médio e o empreendedorismo nos cursos de graduação.
Em relação ao primeiro tema, a SBQ formou uma comissão, na qual será convidado o professor Otávio Maldaner, da UNIJUÍ, que vai participar da elaboração de propostas para a formação e qualificação de docentes do ensino médio, como contribuição ao atual trabalho da Capes, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
A participação da SBQ se dá em um cenário em que o país registra expressiva carência de professores licenciados em química, física, matemática, sociologia e filosofia. A partir dessa realidade a Capes vem colhendo subsídios para conduzir ações conjuntas envolvendo o governo federal, estados e municípios, visando ampliar o número de docentes, qualificá-los e valorizar a atividade
Esse processo teve início no final de 2007, quando o órgão realizou uma reestruturação de sua diretoria e passou a incluir entre suas atribuições o fomento ao ensino básico, área que ganhou o nome de Nova Capes.
A Capes estima que faltam hoje na rede pública de ensino cerca de 20.000 professores de química. E no universo das atuais 32.200 “funções docentes” exercidas, 66% dos profissionais não apresentam licenciatura (o número é superior ao de professores já que um mesmo docente pode dar aula em mais de uma escola) As informações são do titular da Coordenação-Geral de Desenvolvimento de Conteúdo Curricular e Modelos Experimentais, da Capes, José Peres Angotti. Ele participou do 4º Fórum apresentando a palestra “A Nova Capes e Políticas para Formação Inicial e Continuada de Professores”.
Causas
Para o professor César Zucco, vice-presidente da SBQ e organizador do encontro, o quadro atual de carência de docentes exige efetivamente ações de governo e de agentes da sociedade envolvidos com o tema. A química se mostra como uma das áreas onde o aproveitamento dos alunos do ensino médio é mais baixo, e, no ensino superior, defronta-se com um grande índice de evasão.
As causas que explicam esses fenômenos, além dos fatores históricos do país, vêm de uma realidade profissional atual marcada por componentes negativos. Os salários dos professores são baixos, despertando pouco interesse de quem busca uma carreira profissional. A atividade não conta com programas de educação continuada que sustentem a qualificação dos docentes e, com freqüência, as condições de trabalho deixam a desejar. Esse quadro geral, nota o vice-presidente da SBQ, torna-se mais grave ainda nas áreas distantes dos grandes centros.
Um dos pontos principais que deve ser levado em conta nas propostas elaboradas pelo grupo de trabalho é a necessidade de envolver totalmente os futuros professores na atividade didática, durante sua formação. Esse envolvimento, observa, é essencial para que os licenciandos aprofundem sua convivência com as salas de aula.
Fonte: Professor Carlos Peixoto e Boletim Eletrônico nº 808 da SBQ