As Universidades Comunitárias do Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina apresentaram, por meio das direções de suas respectivas entidades – Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) e da Associação Catarinense de Fundações Educacionais (ACAFE) – dois projetos importantes aos Ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Justiça, Tarso Genro. O projeto apresentado ao Ministro da Justiça constitui-se numa proposta de regulamentação de possíveis parcerias entre o Governo Federal e as Instituições Públicas Não-Estatais (entre as quais estão as Universidades Comunitárias).
O Ministro recebeu muito bem a proposta e informou que será um dos grandes defensores da mesma dentro do Governo. O professor Gilmar Antonio Bedin, Presidente do Comung e Reitor da UNIJUÍ, esclarece que o projeto é fundamental, pois tem o “objetivo de criar um marco legal que torne possível a realização de parcerias entre o Governo Federal e as Universidades Comunitárias na área da educação superior”. Isto não tem ocorrido até o momento, salvo com o Programa Universidade Para Todos - PROUNI. Por isso, é importante superar os entraves existentes e desenhar projetos comuns, destaca o presidente do Comung.
Este é um tema que envolve todas as 24 Instituições de Ensino Superior dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Neste mesmo sentido, outra importante solicitação do Comung e da ACAFE é a alteração da Lei de Inovação. O objetivo é tornar possível a participação das Universidades Comunitárias nos editais de pesquisa dos chamados fundos setoriais.
O projeto apresentado ao Ministro da Educação está centrado na área de formação de professores. Este projeto foi articulado pelo Fórum de Pró-Reitores de Graduação das Universidades Comunitárias e levou em consideração a carência de professores nas áreas de física e de química. Neste sentido, lembra a professora Antonia Carvalho Bussmann, Vice-reitora de Graduação da UNIJUÍ e participante do Fórum, que se tomarmos, por exemplo, o Rio Grande do Sul, é possível constatar que das “249 turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental e das 13.347 turmas do Ensino Médio que ministram aulas de Física, apenas 34 turmas (13,7%) do Ensino Fundamental e 5.152 turmas (38,6%) do Ensino Médio têm professores Licenciados em Física”. Isto ocorre também com a área de química. Das 243 turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental e das 13.489 turmas do Ensino Médio que ministram aulas de Química, apenas 42 turmas (17,3%) do Ensino Fundamental e 7.335 (54,4%) do Ensino Médio têm professores Licenciados em Química, destaca a professora Antonia.
As estatísticas do MEC e do INEP têm, realmente, revelado os problemas de formação de professores no Brasil. Por isso, as Universidades Comunitárias estão se colocando a disposição do Governo Federal para, esclarece o presidente do Comung, a partir de sua longa história de formação de professores, implantar, em parceria, um projeto ousado nas áreas da Física e da Química. O projeto foi entregue também ao professor Dilvo Ristoff, responsável pela Diretoria da Educação Básica da CAPES, e aos deputados da bancada gaúcha e catarinense.