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Comentário Econômico - 09/10/08

REACOMODAÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS
Neste início de outubro de 2008 a volatilidade dos mercados internacionais continua, apesar da aprovação do pacote de US$ 700 bilhões lançado pelo governo dos EUA. A mesma não cederá tão facilmente, a partir do momento em que o mundo percebe que a crise financeira é profunda. Abusou-se da especulação, durante cinco anos. Agora a conta vem, e salgada! Nesse contexto, os preços agropecuários sofrem violenta reacomodação. Na análise de um ano (primeira semana de outubro de 2007 em relação à primeira semana de outubro de 2008), percebe-se que alguns produtos já operam no negativo. Percebe-se igualmente que o setor agrícola vê seus preços caírem rapidamente, particularmente nos últimos três meses. Enquanto isso, os preços da pecuária, em alguns casos, se sustentam bem e outros igualmente recuam. Na verdade, diante de forte queda na Bolsa de Chicago nos últimos três meses, os preços primários em geral apontam para níveis bem mais baixos na média, neste final de ano. Dentre os produtos que se mantêm com ganhos nos últimos 12 meses, aqui no Rio Grande do Sul, destacam-se: o arroz, com 48,6%; o feijão com 130%; a soja, com 26,4%; o sorgo, com 19,3%; o boi gordo, com 18%; o suíno, com 41,8%; a vaca gorda, com 19,4% e o cordeiro, com 6,7%. Com perdas nos preços, em relação ao início de outubro do ano passado, já encontramos o milho, com -0,86%; o trigo com -12,6%; o frango, com -9%; e o leite, com -13,6%. A situação piora se analisarmos o comportamento dos preços nos últimos três meses (início de julho a início de outubro de 2008). Puxados pela derrocada em Chicago, os grãos recuam fortemente, também envolvendo alguns produtos animais. Afinal, em Chicago as perdas nos preços dos grãos variam entre 27% e 38% nesses últimos três meses.

REACOMODAÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS (II)
No mercado gaúcho, a média dos preços aponta para um recuo, nos três meses considerados, da seguinte ordem: a soja perdeu 13,7% (a perda somente não foi maior porque o Real se desvalorizou ao redor de 25% no período); o milho perdeu 17,2%; o sorgo recuou 10,2%; o trigo perdeu 21,9%; enquanto o leite acusa perdas de 20%. Os produtos que ainda registram ganhos, nesses últimos três meses, são o arroz, com +4,5%; o feijão, com +1,2%; o boi gordo, com +0,4%; o suíno, com +9,4%; a vaca gorda, com +1,6%; e o cordeiro, com +9,1%. A análise que se pode fazer, a partir desses dados concretos, aponta para preços da soja ainda em baixa, dependendo do câmbio; o milho e o sorgo ainda possuem um pequeno espaço de recuo, diante da forte oferta proveniente da safrinha e das dificuldades na exportação (a atual desvalorização do Real pode reverter um pouco esse quadro); o arroz e o feijão deverão recuar fortemente, na esteira dos demais grãos, caso a safra nova seja normal; o trigo continuará em baixa, devendo se recuperar a partir de março, diante das dificuldades de oferta da Argentina; o boi e a vaca gordos ainda possuem espaço para preços elevados, porém, o ciclo positivo de preços deverá começar a reverter em 2009; o suíno, ainda pode se manter com preços interessantes, porém, isso tende a não durar muito tempo já que as exportações avançam em menor ritmo nesse ano e a oferta local começa a crescer; o frango dificilmente se recupera nesse ano, pois o alojamento de animais foi muito grande nos meses passados; o cordeiro ainda encontra espaço para preços interessantes, porém, nosso mercado não é significativo. O leite deverá amargar preços em recuo, pois a oferta cresceu muito. Todavia, a maturação dos projetos industriais deverá recuperar um pouco tais preços a partir do final de 2008 e durante 2009.

 
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