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CHOQUE FINANCEIRO MUNDIAL: NOVOS DESDOBRAMENTOS Nesta semana novos desdobramentos da crise financeira mundial se fizeram presentes na economia real. O processo atingiu definitivamente a Europa. A Ásia pode ser a próxima “bola da vez”. O pacote de ajuda do governo dos EUA finalmente foi aprovado, devendo injetar mais de US$ 700 bilhões no mercado visando retirar do mesmo os títulos “podres” agora existentes. O mercado se dá conta, a cada dia que passa, que o rombo é bem maior do que se imaginava no início, devendo alcançar entre dois a três trilhões de dólares. O preço das commodities recua fortemente nas principais bolsas mundiais. O Real se desvaloriza cerca de 57% entre o final de julho passado e o dia 07/10. As bolsas de valores, dentre elas a Bovespa, já contabilizam perdas monumentais neste ano de 2008 (ao redor de 40% na Bovespa; 30% em Wall Street; 35% no Nasdaq e no Japão; 30% na Inglaterra; 40% em Buenos Aires; 32% no México; 36% na Alemanha e assim por diante). Ao mesmo tempo, o mercado levanta igualmente a informação de que uma das causas de tal crise, além de todas as conhecidas e já citadas, foi a altíssima remuneração recebida, nestes últimos anos, pelos dirigentes dos grandes bancos. Para se ter uma idéia, em 2007, em plena crise do setor imobiliário dos EUA, os bônus dados pelos cinco primeiros bancos daquele país a seus colaboradores somaram US$ 66 bilhões. Na economia de mercado, bem ou mal, todo o excesso acaba um dia por ser punido. O problema é que a punição sobra para todos!
CHOQUE FINANCEIRO MUNDIAL: ALGUMAS SAÍDAS A solução para tamanha crise, além das que já foram citadas nesse espaço em comentários passados, passa pelo retorno de uma regulação eficiente do setor financeiro, tendo nos Estados e nos organismos supranacionais (FMI, Banco Mundial....) agentes controladores do sistema. Nesse sentido, estes organismos supranacionais evidenciaram sua inoperância, pelo menos até agora, diante do tamanho da crise. Uma reforma profunda dos mesmos se impõe ou, quem sabe, sua substituição por organismos adaptados aos novos tempos que surgirão das cinzas da crise. Por outro lado, não se deve condenar o sistema de transferência de créditos aos investidores, via títulos. Esta técnica, segundo a maioria dos economistas do mundo, participou ativamente na viabilização do crescimento econômico geral nestes últimos anos. O que se deve questionar e corrigir é a complexidade desta ferramenta financeira. Quanto mais complexo o sistema, maior o risco e o mercado financeiro deixa de jogar seu papel de alavancador do crescimento econômico. Enfim, para que a nova regulação do mercado financeiro mundial seja eficiente, analistas indicam evitar dois problemas centrais: levar o processo para um excesso de transparência que venha aumentar a volatilidade; ou levar o remédio a provocar um aumento da complexidade do sistema, a qual venha a propiciar ainda mais inovações financeiras fáceis de se descontrolarem. Uma coisa está cada vez mais evidente: por enquanto, ninguém encontrou a solução milagrosa para a crise, ao mesmo tempo em que a intervenção pública tem seus limites. Será preciso uma associação entre ações públicas e correções do próprio mercado para se encaminhar uma solução, a qual levará tempo para oferecer resultados definitivos.
A MIOPIA GERAL Assim como o setor financeiro internacional e seus agentes foram míopes em não enxergar que o abuso especulativo iria levar a uma quebra geral do processo, atingindo diretamente a economia real, igualmente aqueles que se felicitam com a crise internacional atual, pregando um retorno puro e simples à economia de Estado, não estão enxergando que o mundo jamais viu uma economia prosperar em cima de um sistema financeiro doente e/ou excessivamente controlado.
O ALTO RISCO DO “MADE IN CHINA” A concorrência dos produtos chineses no mercado internacional, nos últimos anos, tem sido foco de preocupações mundo afora. Todavia, o mundo, na ânsia de agradar um mercado de 1,4 bilhão de habitantes, em crescimento constante, tem deixado de questionar a falta de profissionalismo na produção dos chineses e a qualidade dos produtos “made in China”. Nos últimos quatro anos, nada mais do que seis enormes escândalos sobrevieram ligados aos produtos vendidos pelos chineses. Em 2004, os chineses nos venderam yo-yos que quebravam facilmente e continham um líquido contaminado por bactérias fecais. Em 2006, traço de colorantes cancerígenos foi detectado em frangos chineses. Em 2007 descobriu-se um dentifrício vendido pelos chineses que continha diethyleno glycol, produto potencialmente mortal, utilizado nos anticongelantes. Dezenas de pessoas teriam morrido contaminadas na América Latina. Além disso, milhões de brinquedos vendidos nos EUA e outros países, inclusive o Brasil, foram pintados a base de chumbo. Em 2008, nos EUA ainda, a justiça local passa a investigar rações para animais de estimação, procedentes da China, que teriam matado mais de 4.000 cachorros e gatos. No Japão, 10 pessoas são hospitalizadas devido a ingestão de raviólis congelados, procedentes da China, contaminados com pesticidas. Enfim, nestes últimos dias, na própria China, leite contaminado com melamina mata pelo menos quatro crianças e contamina milhares de outras (cf. jornal Le Monde, Paris-França). Efetivamente, o barato sai caro! Em tal contexto, há sim condições de enfrentarmos os produtos chineses no mercado mundial, desde que não façamos os mesmos erros.
A CONTRADITÓRIA CRISE DA AVIAÇÃO MUNDIAL Dentro do capítulo das crises mundiais, o setor aéreo passa por uma sem precedentes. O alto custo do petróleo, o desaquecimento geral da economia e o mau gerenciamento de muitas companhias aéreas, estão obrigando o setor a uma forte reestruturação. Não é de hoje que tradicionais companhias aéreas têm quebrado. A última em data é a Alitália! Para se ter uma idéia do problema, para 2008, a indústria mundial do transporte aéreo projeta perdas ao redor de US$ 5,2 bilhões, segundo a IATA. Somente as cinco maiores companhias dos EUA – American Airlines, Continental Airlines, Delta Airlines, United Airlines e USAirways – somaram uma perda recorde de US$ 13,4 bilhões no primeiro semestre de 2008. O contraditório do processo é que, apesar do freio imposto à economia dos EUA e agora no mundo, e da alta no custo das passagens, o tráfico de passageiros, em 175 países do mundo, registrou um crescimento de 6,8% em 2007, atingindo cerca de 4,8 bilhões de viajantes. Esse crescimento no número de viagens iniciou em 2003. Todavia, é bom lembrar que o forte da crise econômica mundial se dá em 2008, período que tais estatísticas ainda não consideram. Ou seja, para o setor, o pior está ainda por vir!
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