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Comentário Econômico - 16/10/08

CRISE: A REAÇÃO MUNDIAL
Passados 14 meses do início da chamada crise financeira mundial (a expressão “dura correção do mercado” seria mais correta), iniciada quando do estouro da bolha imobiliária nos EUA, em agosto de 2007, e após as principais bolsas de valores do mundo registrarem perdas entre 35% e 45% neste ano de 2008, com reflexos irreversíveis na economia real (a economia mundial assiste sim a um crash), finalmente as principais economias do Planeta, através de seus bancos centrais, iniciaram um movimento consistente de reação. Se o mesmo será suficiente para o tamanho da crise, ainda é cedo para afirmar. A euforia da segunda-feira pós-anúncio das diferentes medidas de reação entra no capítulo da irracionalidade, na mesma dimensão das ações especulativas que levaram o mundo à crise, particularmente nestes 40 últimos dias. Todavia, a munição que vem sendo gasta para debelar a crise é, agora, significativa e “concertada”. Apenas a União Européia estaria colocando em jogo cerca de US$ 2 trilhões, sem falar nos EUA, Japão e os países emergentes, como o Brasil, que já chegou a queimar quase US$ 10 bilhões de suas reservas. As perdas, portanto, são colossais! Assim como os gastos para retomar o rumo, agora com maior controle dos fundamentos econômicos, é o que se espera. Esta reação mundial, movida a Estado, entra na lógica keynesiana de que estes devem atuar na economia quando a situação o exige. Mesmo que para isso seja necessário estatizar temporariamente empresas, no caso instituições financeiras. Estamos, portanto, diante de uma guinada, visando ajustar o rumo do capitalismo, e não diante do fim da economia de mercado. Não se trata de voltar à economia planificada de Estado, a qual sucumbiu no final dos anos de 1980, após gerar inflação, endividamento e estagnação.

CRISE: A REAÇÃO MUNDIAL (II)
Uma coisa parece certa: a volatilidade do mercado continuará ainda por algum tempo, pois o chamado “fundo do poço” da crise apenas estaria sendo alcançado (o mundo ainda tem dúvidas quanto a isso). A partir daí, vem a assimilação das conseqüências concretas do estouro, particularmente na economia real. Em primeiro lugar, mesmo com a forte irrigação de recursos indicada pelos bancos centrais, a liquidez geral tende a diminuir. Em isso ocorrendo, o custo do dinheiro será maior e os investimentos produtivos serão mais caros, devendo igualmente diminuir. Nos países onde a moeda nacional se desvalorizou perante o dólar, em função da saída abrupta de capitais, haverá pressão inflacionária. Os bancos centrais, e será o caso do banco brasileiro, se encontram numa chamada “sinuca de bico”. Para dar maior dinamicidade à economia, diante da crise, o melhor seria reduzir o juro básico ou, pelo menos, estagná-lo. Ora, havendo pressão inflacionária pelas importações mais caras e/ou pela pressão residual do crédito até então  disponibilizado à sociedade (caso do Brasil), a arma tem sido justamente o aumento do juro básico. Por outro lado, a economia geral irá crescer menos. Em nosso país podendo ficar abaixo de 3,5% em 2009, gerando desemprego. Enfim, mesmo com o atual socorro mundial, supondo que o mesmo venha a encaminhar um início de solução, não é possível pensar uma retomada da economia global, que recupere o estágio passado, antes de um a dois anos. Como resultado disso tudo, deveremos ter um mundo mais regulado no campo do mercado financeiro, com maior presença do Estado na economia, através de regras mais firmes, mesmo que venha a privatizar os bancos que ora estatiza. A multipolaridade na liderança da economia mundial será também mais evidente. Enfim, espera-se um capitalismo mais cuidadoso!

 
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