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Comentário Econômico - 18/10/08

O RECUO DOS PREÇOS DO PETRÓLEO E O PRÉ-SAL BRASILEIRO
A energia é um insumo que passa a ser atingido diretamente pelos efeitos da atual crise financeira mundial. E, nesse contexto, até mesmo o pré-sal brasileiro balança. O custo para extrair esse petróleo, a mais de 7.000 metros de profundidade após a linha d´água no Oceano Atlântico, está sendo avaliado ao redor de US$ 600 bilhões. Ora, pelos cálculos iniciais e diante da tecnologia disponível, a viabilidade de tal operação passaria a ficar comprometida caso o barril de petróleo recue abaixo de US$ 70,00/barril no mercado internacional. Há poucos dias atrás o mercado chegou próximo disso, cotando o barril entre US$ 73,00 e US$ 77,00. Portanto, de nada adianta termos esta enorme riqueza energética se não conseguirmos viabilizá-la economicamente. Vamos precisar, em parceria com o mundo, avançarmos ainda mais em tecnologia de prospecção caso, diante da recessão econômica mundial que se desenha, o preço do petróleo continuar recuando.

O ETANOL BRASILEIRO AVANÇA
Ainda no capítulo energético, a atual crise confirma uma tendência apontada há mais tempo. O biocombustível é uma boa alternativa ao petróleo, desde que este se mantenha em preços elevados. Todavia, no espectro dos biocombustíveis, a viabilidade é mesmo para o etanol (álcool) e não para o biodiesel (a base de óleos vegetais). Nesse contexto, o Brasil está investindo pesado na produção de cana-de-açúcar e transformação da mesma em etanol, ficando de lado o modismo do biodiesel. Mesmo porque, nas condições tecnológicas atuais, mesmo com um petróleo a US$ 140,00/barril o litro do biodiesel industrial ainda não se viabilizava. Que dirá com um petróleo a US$ 77,00/barril! Já o etanol de cana se viabilizaria a partir de um petróleo a US$ 30,00/barril. Assim, a demanda brasileira e mundial cresce em busca deste combustível alternativo. No Brasil, por exemplo, as vendas de automóveis e comerciais leves total-flex ou flex-fuel, passaram de 10.130 unidades em 2000 para 2,03 milhões de unidades em 2007, já tendo chegado a 1,64 milhão nos oito primeiros meses de 2008. No período 2000 a 2008 aqui computado, as vendas totais deste tipo de automóvel chegam a 6,53 milhões de unidades, sendo que os mesmos representaram, nos oito primeiros meses do corrente ano, 83,1% do total de automóveis vendidos no Brasil. A variação entre 2007 e 2008, considerando o período de janeiro a agosto, é de um crescimento de 42,7% nas vendas deste tipo de automóvel e comerciais leves.

O ETANOL BRASILEIRO AVANÇA (II)
Pelo lado das exportações, diante do aumento do consumo interno de etanol, salvo um crescimento muito grande na produção nacional do produto, não se vislumbra um aumento significativo nos próximos anos. Em 2008, o Brasil deverá exportar 3,5 bilhões de litros do produto, sendo 2,3 bilhões para os EUA (apesar da tarifa aduaneira imposta por aquele país) e 1,2 bilhão para a Europa. Isso no contexto de uma produção nacional ao redor de 27 bilhões de litros nesse ano. A projeção de exportação para 2017 chega a 4,5 bilhões de litros, ou seja, 28,6% acima do realizado atualmente. Desse total, os EUA comprariam 2,6 bilhões e a Europa 1,9 bilhão de litros. Na verdade, o aumento no consumo potencialmente se encontra no próprio mercado interno brasileiro. A tecnologia avança no sentido de viabilizar o consumo desse combustível em motores de alta potência, caso de caminhões e tratores. Em isso se tornando realidade, entra em jogo um mercado de 40 bilhões de litros de diesel. Considerando que seria necessário entre 1,7 a 1,9 litro de etanol para gerar o mesmo rendimento de um litro de diesel, a produção nacional de etanol teria que aumentar entre 68 e 76 bilhões de litros para substituir a totalidade do diesel aqui consumido (cf. Safras & Mercado-Bioenergia). Evidentemente, isso não deverá acontecer nessa dimensão, mas a tendência se desenha de forma interessante para o futuro. A questão é viabilizar a produção de cana-de-açúcar, sem prejudicar a produção das demais atividades agropecuárias. Nesse sentido, cientistas nacionais avançam que o Brasil possui hoje 80 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam servir, por exemplo, para a produção do biocombustível. Eis alguns dos elementos atuais do problema. O debate está posto!

UM NOVO CAPÍTULO DO POPULISMO
Após a Venezuela, Bolívia, Equador e mesmo a Argentina, agora é a vez do Paraguai. Seu novo governo, eleito sobre a promessa de renegociar o contrato de Itaipu com o Brasil e de realizar uma ampla reforma agrária, dentre outras afirmações, já no seu segundo mês após a posse começa a enfrentar problemas. A confusão entre o necessário, o desejado e o possível, acaba inviabilizando as ações e radicalizando posições. De tal maneira que os ditos “sem terra” paraguaios começam a invadir terras de produtores locais, muitos de origem brasileira (conhecidos como brasiguaios), visando forçar a reforma agrária prometida. Ora, o novo presidente paraguaio parece ter caído na realidade e acaba de anunciar que não possui dinheiro para realizar a reforma agrária e assim pede paciência aos manifestantes. Com isso, a produção primária local começa a se inviabilizar em muitas regiões hoje em conflito, comprometendo o PIB do país. A tentativa parece ser a de dobrar o Brasil em relação ao contrato de Itaipu visando gerar recursos para, talvez, aplicar na reforma agrária e em outras ações. Aliás, está na moda provocar o atual governo brasileiro, depois de seguidas demonstrações de fraqueza diplomática mundo afora. A mais recente provocação vem do Equador, que ameaça investimentos nacionais naquele país, inclusive e novamente, a Petrobrás. A ponto do governo brasileiro, pela primeira vez nestes últimos anos, anunciar “retaliações econômicas”, finalmente endurecendo o tom diplomático.

CRISE FINANCEIRA: O CONTRA-ATAQUE
A ação dos principais bancos centrais do mundo e particularmente da Europa, já colocaram no mercado mais de US$ 3,0 trilhões visando conter o rombo que a crise financeira vem causando na economia internacional. As recentes decisões do último final de semana, quando da reunião anual do FMI e Banco Mundial, resultaram em aparente calmaria no mercado. Todavia, pelo tamanho do problema, ainda é cedo para afirmarmos que a crise está definitivamente controlada e o “fundo do poço” foi alcançado. É preciso um pouco mais de tempo para tais conclusões. Além disso, mesmo que se tenha conseguido este resultado, a questão passa a ser quanto tempo a economia mundial levará para iniciar uma recuperação sustentável e curar todas as feridas que o estouro financeiro deixou no mundo globalizado. Por enquanto, a maioria dos analistas indica entre um a dois anos. Mas pode ser mais!

 
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