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Comentário Econômico - 25/10/08

INVESTIMENTOS PÚBLICOS DEVEM SE REDUZIR
Diante da crise financeira internacional, os efeitos sobre a economia real estão cada vez mais evidentes. No Brasil, por exemplo, afora todas as conseqüências já avançadas e que deverão surgir com maior intensidade em 2009, um novo elemento entrou em cena. O governo, através do ministro Mantega, anunciou nesta semana, perante a Câmara dos Deputados, que é concreta a possibilidade de haver uma redução, talvez importante, nos investimentos públicos (pode haver mesmo paralisação de muitos outros). Exatamente no momento em que, para alavancar a economia, o setor público deveria aumentar tais investimentos, dentro da lógica keynesiana. Esta contradição se explica pela falta de recursos públicos para realizar o processo. E isto se deve ao descontrole no aumento dos salários nos últimos anos no setor. Ou seja, o governo se entusiasmou com as melhorias econômicas, puxadas em grande parte pela euforia internacional entre 2002 e 2007, e definiu salários, inclusive o mínimo, que comprometeram a capacidade de investimentos do país, em momentos de redução de crédito como agora. Assim, ao engessar a economia pelo lado salarial, comprometeu a sua participação no crescimento do país. Tal realidade, a partir das informações oficiais dadas, compromete ainda mais o futuro de nossa economia diante do tamanho e duração da crise internacional que está instalada.

O ESTADO SALVADOR E O ESTADO COVEIRO
Nesse momento de crise aguda no cenário mundial, confirma-se a importância do Estado na economia, como elemento organizador do processo e mesmo regulador do sistema financeiro. A crise confirmou o que já se sabia: um Estado eficiente é necessário no contexto de uma economia, particularmente em uma economia de mercado. As ações dos diferentes bancos centrais nestas últimas semanas comprovam isso. Todavia, há igualmente o Estado ineficiente, perdulário, que, por decisões inconseqüentes de seus administradores, geralmente movidos pelo populismo, comprometem o futuro da Nação. Esse Estado nocivo é muito mais comum do que se imagina. Aqui na América Latina, na atualidade, temos inúmeros exemplos. Dentre eles temos a Argentina, terceira economia latino-americana! Pois os governos Kirchner vêm comprometendo o futuro do país nestes últimos anos, como já diversas vezes se analisou neste espaço. Dentre as diferentes ações suicidárias, tem-se o calote da dívida externa num passado não muito distante, o qual chegou a provocar arroubos nacionalistas em alguns brasileiros. Ora, nesse momento de crise internacional, confrontada desde então a pouquíssimo crédito mundial e vendo suas empresas de ponta (as que restaram) sendo vendidas, particularmente aos brasileiros, a Argentina assistiu nesta semana o seu risco-país ultrapassar os 3.000 pontos (a título de comparação, o risco-Brasil, no dia 21/10, chegou a 524 ponto, após longo tempo abaixo dos 200 pontos). Além disso, diante da total falta de liquidez, inclusive do governo, a Argentina acaba de nacionalizar os fundos de pensão privados. O governo alega que a ação visa protegê-los! O mercado sabe que o objetivo é arrumar dinheiro para um Estado quebrado por ter sido muito mal administrado nos últimos anos. Ou seja, assim como o Estado pode ser salvador econômico, também o Estado pode enterrar definitivamente a Nação e suas gerações futuras. Tudo depende de como o mesmo é administrado!

A CRISE AGRÍCOLA EM MEIO A CRISE GERAL
Um dos setores que poderá sofrer bastante com a crise financeira global e suas conseqüências em nosso país é o agrícola. Além da forte queda nos preços internacionais, da redução do crédito, do aumento dos juros, e do crescimento dos custos de produção (de forma abusiva, diga-se de passagem), a crise mundial pega o setor num processo de endividamento preocupante. Aliás, uma situação que vem se agravando particularmente desde 1995, quando o governo se viu obrigado a criar o sistema de “securitização” da dívida agrícola. Para se ter uma idéia do problema, o saldo devedor médio anual do meio rural, já deflacionado pelo IPCA, passou de um total de R$ 42,3 bilhões em 1995, para R$ 87,4 bilhões até maio de 2007. Deste total, a dívida com investimentos pulou de R$ 14,2 bilhões para R$ 43,6 bilhões no período (cf. Ipea-Banco Central). E o setor continuou se endividando depois disso, em alguns casos estimulados pela euforia momentânea dos mercados. Por mais que o governo federal venha tentando oferecer liquidez ao setor nesse momento de crise geral, é evidente que a realidade será cada vez mais difícil, projetando um 2009 bastante complicado, forçando a novas negociações que, na prática, não têm resolvido o problema e sim, tão somente, empurrado o problema para diante, gerando um efeito “bola de neve”.

PREÇO DA SOJA CONTINUA RECUANDO
Após ter chegado ao recorde histórico de US$ 16,58/bushel no dia 03 de julho passado, as cotações da soja, para o primeiro mês, caíram para US$ 8,58/bushel no dia 15 de outubro. Uma perda de 48,2% em três meses e meio! Nos dias posteriores as mesmas ficaram ao redor de US$ 9,00/bushel. Em reais, o preço médio da soja no Rio Grande do Sul alcançou R$ 41,95/saco no dia 16 de outubro, contra R$ 35,58/saco um ano antes e R$ 50,60/saco na primeira semana de julho passado. Nesse momento, os preços internos da soja só não caem mais porque houve forte desvalorização do Real nas últimas semanas.

 
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