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O CÂMBIO PÓS-CRISE Até julho passado, antes da chamada crise do setor financeiro ficar mais aguda, a tendência do câmbio, no Brasil, era terminar o ano de 2008 ao redor de R$ 1,60, diante da forte entrada de dólares no país. A partir de setembro, com o estouro definitivo da crise, as fortes oscilações cambiais foram a tônica no mercado, havendo momentos em que o mesmo chegou, até este final de outubro, ao redor de R$ 2,50. Ou seja, uma brutal maxidesvalorização de nossa moeda e de forma repentina. Os motivos são conhecidos! Dentre eles, a forte saída de dólares do país, com os aplicadores visando cobrir os rombos ocorridos nas bolsas das principais economias do mundo, assim como na própria economia real, foi um dos elementos centrais do processo. A situação só não foi pior porque o Banco Central brasileiro passou a vender dólares no mercado, graças às importantes reservas cambiais construídas meses antes. Passados dois meses do estouro geral, o mercado já tomou consciência de que a saída de tal crise levará meses, podendo chegar mesmo a ultrapassar dois anos em termos mundiais. Nesse contexto, o principal questionamento recorrente no Brasil, relacionado ao câmbio, é em que taxa o Real acabará se estabilizando, em relação ao dólar dos EUA, após o mundo alcançar o chamado “fundo do poço” da crise. No momento, o mercado avança a idéia de que 2008 possa terminar ao redor de R$ 2,00 na medida em que nosso Banco Central continue atuando e também, passado o momento mais agudo, os capitais produtivos, assim como os investidores em bolsa, retornarem ao mercado brasileiro. Afinal, as perdas na Bovespa ultrapassaram os 50% desde dezembro passado, deixando nossas ações extremamente atrativas neste final de outubro. No entanto, para isso ocorrer, é preciso que a liquidez no mundo retorne!
O CÂMBIO PÓS-CRISE (II) Ora, a liquidez mundial, e particularmente a brasileira, talvez comece a melhorar a partir de fevereiro/março de 2009. Porém, de forma lenta. Por outro lado, não se pode esquecer que a perda de força do dólar na economia mundial se deveu também às necessidades internas dos EUA (cobertura dos déficits comercial e da dívida interna). Com a crise há menor oferta da moeda dos EUA, reduzindo a liquidez consideravelmente, além de muitos voltarem a usá-la como valor refúgio, fatos que elevam ainda mais a demanda pela moeda, provocando sua valorização. Ocorre que o socorro que o Banco Central estadunidense vem dando à economia, da ordem de mais de um trilhão de dólares no acumulado, deverá exigir emissão de moeda em troca de títulos públicos. Mais dólares na economia tende a reduzir o valor da moeda estadunidense, não permitindo que a mesma dispare no contexto das moedas mundiais em geral e da moeda brasileira em particular. Neste sentido, vale colocar que estudos econométricos realizados recentemente na União Européia (cf. La Lettre du Cepii), através dos modelos BEER e FEER, demonstraram que o euro, no final de 2007, estava sobrevalorizado em relação ao dólar, como de resto com a maioria das moedas mundiais. E, mais ainda, demonstraram que a taxa de equilíbrio deveria ser um euro por US$ 1,35. Outros estudos oscilaram em uma taxa de equilíbrio entre US$ 1,50 e US$ 1,10, sendo que esta última é considerada próxima da paridade de poder de compra. A partir do cálculo de taxas de câmbio cruzadas, pode-se inferir que tal movimento do euro, caso ele se estabeleça em US$ 1,35, implicaria num valor ao redor de R$ 1,90 por dólar. Porém, em caso da relação euro/dólar cair para 1,10, o câmbio no Brasil passaria para R$ 3,00 por dólar, em não havendo interferência do Banco Central.
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