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Mercado do Trigo - período entre 24/10 e 30/10/08

As cotações do trigo em Chicago seguiram o comportamento da soja e do milho e acabaram subindo no dia 29/10, quando o primeiro mês cotado fechou em US$ 5,61/bushel. O fechamento desta quinta-feira (30), porém, já ficou bem mais abaixo, em US$ 5,38/bushel.

O mercado seguiu os ajustes técnicos ocorridos nos demais grãos, sendo que as vendas líquidas dos EUA, no ano comercial 2008/09, iniciado em 01/06, foram confirmadas em 383.900 toneladas na semana encerrada em 16/10. Já na semana encerrada em 23/10, as inspeções para exportação nos EUA atingiram a 595.748 toneladas, contra 509.968 toneladas da semana anterior e 867.972 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano comercial as mesmas atingem a 14,2 milhões de toneladas, ficando 11,07% abaixo do registrado no ano anterior.

Por sua vez, o Conselho Internacional de Grãos divulgou que a safra mundial de trigo, em 2008/09, será de 683,2 milhões de toneladas, superando em 12% a produção do ano anterior e 1,08% a projeção do mês anterior.

Na Argentina, o mercado se manteve lento, com poucos negócios, diante da crise interna, agravada pela crise mundial. O saldo exportável do vizinho país deverá ser de apenas 5 milhões de toneladas neste próximo ano, comprometendo a oferta para o Brasil.

Os preços argentinos fecharam a semana em baixa, a US$ 228,00/tonelada em Baia Blanca, a US$ 218,00 em Necochea e a US$ 223,00/tonelada nos portos fluviais ao norte da região produtora. A forte queda dos preços internacionais e mais desvalorização do Real, que dificulta importações por parte do Brasil, estão levando os argentinos a reduzirem igualmente seus preços.

Nos primeiros nove meses de 2008 a Argentina exportou 6,99 milhões de toneladas de trigo, contra 7,64 milhões no mesmo período do ano anterior. Com a aprovação de mais 1,76 milhão de toneladas da safra 2007/08 para exportação, os argentinos esperam vender ao exterior cerca de 11,6 milhões de toneladas em 2008, após 9,46 milhões em 2007.

Neste final de outubro, o trigo argentino estaria chegando à indústria do Sudeste brasileiro a US$ 270,00/tonelada e ao Nordeste a US$ 278,00/tonelada. Já o produto duro dos EUA chega a US$ 322,00 e US$ 309,00/tonelada respectivamente enquanto o macio vem a US$ 266,00 e US$ 261,00/tonelada. Por sua vez, o trigo do Paraná, a uma taxa de câmbio de R$ 2,24 chegaria a US$ 261,00/tonelada. Ou seja, o produto nacional continua mais competitivo. (cf. Safras & Mercado)

No mercado brasileiro, os preços do trigo recuaram um pouco, com a média gaúcha no balcão ficando em R$ 24,84/saco, enquanto os lotes terminaram a semana entre R$ 450,00 (R$ 27,00/saco) e R$ 470,00/tonelada (R$ 28,20/saco). No Paraná, a tonelada variou entre R$ 500,00 e R$ 520,00. No Rio Grande do Sul, os preços continuam abaixo do preço mínimo, que foi estabelecido em R$ 28,80/saco para este ano.

Vale destacar que as perdas, devido às fortes chuvas de outubro (mais de 400 mm em muitas regiões), além de granizo e ventos fortes, podem alcançar 30% nas lavouras gaúchas. Além disso, a qualidade do produto restante, devido a queda do PH, reduzirá o preço pago ao produtor na maioria dos casos. Uma lástima quando se sabe que as primeiras lavouras colhidas, antes das chuvas, chegaram a render entre 45 e 55 sacos por hectare. Até esta última semana de outubro cerca de 20% das lavouras gaúchas haviam sido colhidas.

Desta forma, a produção final do Rio Grande do Sul deverá cair para 1,6 milhão de toneladas, trazendo a produção nacional para algo entre 4,6 a 5,1 milhões de toneladas, dependendo das estatísticas iniciais tomadas como referência.

Pelo lado consumidor, as indústrias continuam bastante abastecidas, não havendo corrida pelo produto nacional. O problema continua sendo a partir de fevereiro, quando se cristalizar a menor oferta argentina e o próprio efeito da menor colheita gaúcha, além da qualidade comprometida em grande parte.

Enfim, a semana terminou com a importação no CIF Sudeste brasileiro valendo US$ 326,30/tonelada para o produto dos EUA; US$ 272,94/tonelada para o produto da Argentina; e US$ 278,17/tonelada para o trigo oriundo do norte do Paraná.

Vale ainda destacar que o governo, através da Comissão Interministerial, que reúne os ministérios da Fazenda e da Agricultura, aprovou o desembolso de R$ 152 milhões para AGF no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

 
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