A Poesia está no Ar!

               A poesia está impregnada na EFA. A escola respira o texto poético, quando todos os professores passam por formação especifica, não só os de Português e Literatura, as crianças e os jovens se acometem do pecado capitalista do brincar e soltar palavras ao vento e ao registro do jogo.

  • O ex-aluno, hoje pai da Laura e do Guilherme da escola Daniel Knebel Baggio escreveu:

Recordações da minha Escolinha Francisco de Assis – EFA

[...] os jogos, as aventuras, as amizades puras,

As discussões, as vivências, as novas experiências,

Uma protetora de novos talentos e de novos seres.

Uma protetora de seres criativos,

Seres com senso crítico que conhecem seu lugar![...]

 

[...]EFA,

Uma das filhas da nossa mãe UNIJUI,

Duas grandes potências da cidade de Ijuí,

Onde estudei, cresci e muito aprendi.

Lugar onde meus filhos irão estudar,

Onde meus filhos irão crescer e aprender a cooperação que devem cultivar.

 

                Poetar é pra todos. Quadrinhas, trava-línguas, rimas simples e versos escansionados, mergulhando no texto em verso. Arriscar-se é o lema. Arriscar-se à rima, à quadra, à estrofe e a construção de poemas.  Exercitar-se nesta empreitada é acreditar que é possível desenvolver o olhar poético e a capacidade de interagir com o mundo num ritmo particular de criticidade, de sensibilidade, de mexer com o belo e o feio, o certo e o errado, com a magia do brincar com palavras, permitindo-se ao devaneio, sem perder a capacidade de pensar que o mundo está aberto para quem pensa e faz do mundo, um lugar melhor para se viver e conviver.

  • Ex-aluno Frederico Souza (13 anos, 7ª série, turma 71) livro de poesias III- alunos mostram o que fazem

 

Saudades

 

[...] O que aconteceu com aquela pátria?

Sumiu nos livros

Daqueles escritores

No meio de tantos outros

Num canto esquecido

Deste mundo de saudades [...]

 

         Quem matou a poesia? Indaga o conjunto porto-alegrense Engenheiros do Havaí em uma conhecida música. Respondemos: ninguém.  Como diz o professor Ricardo Amaral:

Felizmente, a poesia não morreu, embora esteja moribunda. No mundo moderno, comandado pela cultura da mídia de comunicação de massa, o texto literário tornou-se restrito a um pequeno numero de pessoas. [...] no mundo do audiovisual, a nossa própria imaginação já tem que ser fornecida para que não despendamos o esforço de elaborá-la. É claro que se paga um preço alto: se alguém pensa por nós, nós perdemos o hábito de pensar e podemos nunca mais readquirí-lo.[...] ler e produzir poesia é mais do que importante. É um elemento fundamental da essência humana que aqui começa  a se recuperar. O otimismo é justificado. ( Introdução do Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem)

 

  • Ex-professor, professor da UNIJUI e hoje pai da aluna Penélope da Educação Infantil, Anderson Amaral de Oliveira.

 

Folhas soltas

[...] caio em rodopio

Levanto em seguido

E dissimulo

Ao rir da própria sorte.

Sopro a areia da amplulheta

Fazendo versos brancos

Para me jogar novamente

Num abismo de devaneios,

Para sentir os lábios secando

E as rugas aparecendo

Enquanto paro e contemplo a beleza

Em uma flor qualquer nascida. Arranco-a então.

As rugas como linhas vividas

São musicas de um livro de memorias intitulado:

(...)

  • Das ex- alunas Helena Basso e Regina Zanon (8 anos, 2ª série, Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem/1992)

 

O gato e o rato

O gato e o rato são um barato

De tantos pratos e tratos

Que jogam na cabeça de um outro rato e de um pato.

De tanta folia

Foram parar na cozinha da vizinha

A vizinha viu e se confundiu

Achando que era o fim do Brasil. [...]

 

  • Da professora e coordenadora pedagógica Rosana Barros

 

Eva e Adão

[...] A simplicidade é poder estar

Onde a gênese se acende

Deixe, pois de tanto lamentar [...]

 

  • Dos ex-alunos Maiquel Silva e Sergio Callai (9 anos, 3ª série, turma 31, Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem/1992)

 

Cuida o dedo

Cuida o diabinho colocando o dedo no liquidificador!

- Sumiu o dedo!

Olha o Collor colocando o dedo no liquidificador!

- Deixa ralar!

Olha o Michel Jackson colocando o dedo no liquidificador!

- Tira!!!

Olha o Raí colocando o dedo no liquidificador!

Porcaria, trancou!

  • Do professor e poeta Claudio Trindade

 

 

Poesia na Escola

       Num tempo em que a tecnologia centraliza para um único meio todas as mensagens, em que se anseia por poder e dinheiro sem pudor, num tempo de muita pressa e valorização do ter, sem preocupação com o impacto de atitudes que geram desigualdade social, a EFA concebe a arte como um contraponto e traz a poesia como uma forma de sensibilização a partir da energia que têm as palavras e das emoções que elas despertam.

       A poesia é um dos gêneros textuais presentes na vida escolar de seus alunos. É necessário a cada um encontrar seu modo pessoal e próprio de ser, viver e contribuir com o mundo a partir de sua singularidade. Dessa forma, o livro Poesia: alunos mostram o que fazem, que teve sua primeira edição em 1985 e alcançou a 11ª em 2013, reúne textos de todos os alunos, da educação infantil ao ensino médio, independentemente de qual seja a sua aptidão para “lutar” com palavras, pois significados são criados e sustentados coletivamente!

Elita Maria Bianchi Tessari- Mestre em Linguística Aplicada- Professora dos anos finais e ensino médio