EFA, valorizando suas raízes,impulsionando seu futuro

Em 2018, ano do cinquentenário da EFA, sinto-me muito lisonjeada e orgulhosa por ser a diretora da escola, em seu jubileu de ouro. Este sentimento se dá, por ser a EFA responsável pela minha constituição como profissional e, pelo encantamento no ser professora com a crença de que a educação é um caminho para a construção de um mundo melhor, com possibilidades várias na contribuição à formação de seres humanos sensíveis, humanizados e solidários.

São 50 anos de trabalho na comunidade de Ijuí e região fazendo educação, com a certeza de que sua missão é muito mais que ser escola repassadora de conhecimentos construídos historicamente pela humanidade. É ser um local de exercício diário de reflexão, de construção, de participação, de cumplicidade e de comprometimento com a formação das crianças, jovens e adultos. Escola que sempre primou pela valorização e o respeito ao potencial humano, à individualidade e à coletividade, possibilita o diálogo diverso, promove o planejamento participativo e que tem a pesquisa como princípio educativo. Uma escola que trilha seu caminho de participação solidária junto aos pais, professores, funcionários e colaboradores.

Quando me pergunto sobre o que nos espera no futuro e, mais especificamente nos próximos 50 anos? Sustenta-me a premissa de que alguns especialistas em educação têm anunciado a escola de hoje e do futuro sob forte influência tecnológica, com metodologias visando ao uso das mídias, tanto em dispositivos móveis quanto em rede de computadores. Com acesso ao mundo “sem fronteira” do campo virtual, a geração de alunos da atualidade nasce imersa nas múltiplas possibilidades virtuais. Assim, o questionamento é qual o papel da escola e do professor neste contexto?

 Na EFA, os professores definem o que é preciso ensinar, planejam as aulas e os projetos de modo que os alunos tomem para si e não vejam a proposta pedagógica como mera tarefa a ser realizada para fins de uma cobrança avaliativa. Os professores contribuem na formação plena das crianças e jovens, assim como são eles que têm a tarefa em conduzi-los a se organizarem para o conhecimento, cuidam da sua aprendizagem, procurando encaminhá-los para a autonomia no pensar e no agir. Em seu livro Professor do futuro e reconstrução do conhecimento Demo (2004, p. 28), afirma:

"a escola é o mais importante caminho para a construção de conhecimento, é nela, que o nosso cérebro é estimulado a trabalhar com o conhecimento que possuímos anteriormente de frequentarmos uma instituição escolar, porém, esse processo somente obterá êxito se o aluno realmente compreender o tema e a sua importância, de modo que ele possa tornar-se não apenas um sujeito integrante, mas também interativo.

Acredito que a escola dos próximos anos não se restringe como espaço territorial de aprendizagem, mas, sobretudo, é a estrutura que possibilita a inserção de crianças e adolescentes ao meio social. Por meio dela, torna-se possível desde muito cedo, que as crianças estabeleçam relações com outras crianças, desenvolvendo noções de amizade, justiça e respeito às pessoas externas ao grupo familiar e à sociedade da qual faz parte.

A proposta EFA, ao longo de seus 50 anos, sempre foi de estar distante do modelo tradicional de ensino, buscando metodologias que valorizam a autonomia e a capacidade criativa dos alunos e que os toma como sujeitos deste processo. Sendo assim, os próximos anos, e não só o hoje e o amanhã, espera-se que se constituam pela garantia na contribuição na formação de cidadãos capazes de interagir com as diferentes tecnologias incorporadas no processo de educação para identificar os problemas, construir a pesquisa, tomar decisões e se comunicar com eficácia, bem como em construir e viver relações humanas de convívio com respeito às diferenças em uma edificação sólida de solidariedade com o outro.

 

Maria do Carmo Pilissão - Diretora da EFA