Especial 50 Anos EFA

Os protagonistas: as muitas mãoes dos que fizeram e fazem a EF

Encantar, enfeitiçar, seduzir. EFA uma escola que foi tomada de encantos, influencia as pessoas que por ela passa, por oportunizar o autoconhecimento e o despertar para a beleza da vida, do planeta e de tudo o que dele demanda.

 

                Muito se fala em participação e em protagonismo. Há 50 anos a EFA vem procurando dar as lentes próprias para cada sujeito, a lente do professor é apenas uma forma de olhar/ver o mundo e as coisas. Quem encanta, enfeitiça e neste sentido enfeitiçar pessoas é dar exemplo e ajudar na caminhada. Protagonismo não é fazer tudo o que se quer e tem curiosidade! Protagonismo é ser o principal ator nos acontecimentos, de forma que as ações sejam voltadas para si e suas necessidades. O aluno não é o único ator, mas é aquele para quem as ações são voltadas e que promove a história. Acolher seus interesses faz parte de constituí-lo como protagonista. Ele intervém nos episódios da vida cotidiana. A ponte entre participação e protagonismo se dá justamente nos acontecimentos do dia a dia e em como acolhemos os interesses das crianças, jovens e demais adultos que fazem a Escola.

  • ESCOLA E FAMILIA, UMA PARCERIA DE CONFIANÇA Ederson Tolfo Feller - Presidente do Conselho de Pais e empresário.

O Conselho de Pais da EFA tem por função representar as famílias no diálogo com a Direção e Coordenação Pedagógica, a fim de estreitar a relação escola-família. Além de ser parceiro e proponente, estabelece uma eficaz parceria na organização de eventos e atividades que buscam socializar, e integrar cada vez mais as famílias junto à escola. Escola esta que acreditamos ser ideal na formação humana e cidadã dos nossos filhos. Que muitas mãos continuem fazendo o protagonismo da EFA!

 

  • O QUE VIVENCIO AQUI ME INSPIRA E ME TRANSFORMA Eduarda Joner - Auxiliar Pedagógica da EFA. Estudante do Curso de Pedagogia da UNIJUI.

Amor, respeito e dedicação são características essenciais que regem meu trabalho dentro da EFA. Nessa escola aprendi o verdadeiro significado de união, no qual juntos todos os profissionais trabalham por uma educação de qualidade, respeitadora que auxilie na formação dos sujeitos. Ser EFA é acreditar que o conhecimento não tem limites, é permitir-se experimentar o novo e construir novas ideias, mas, nunca esquecendo dos valores e princípios já trazidos consigo. Sou EFA, pois o que vivencio aqui me inspira e me transforma a cada passar dos dias.

 

  • EFA UMA ESCOLA QUE PROMOVE O BEM ESTAR Samara Dapper. Nutricionista e proprietária do RU- Restaurante Universitário.

O Restaurante Universitário produz e fornece alimentos para a merenda escolar da EFA, além de almoço e lanches para alunos, professores e funcionários da Unijuí e público em geral. Sabemos da responsabilidade que é comercializar alimentos. E temos como foco a produção de alimentos seguros ( que não causem danos à saúde dos consumidores) e que promovam saúde, seguindo parâmetros do Ministério da Saúde e PNAE (Plano Nacional de Alimentação Escolar). Nós observamos e temos consciência que as escolhas alimentares dos alunos muitas vezes não são as melhores e mais saudáveis. É alta a prevalência de obesidade infantil e outras doenças associadas à má alimentação no Brasil. Acreditamos que a melhoria destas opções alimentares é um processo que deve envolver educação nutricional e atuação em conjunto com escola, alunos, familiares e restaurante.

           Ser protagonista da história é ter atitude fruto da disciplina e da visão inspiradora de futuro. Transformando ideias em ações concretas. É ser proativo, enquanto estar vigilante, atento aos acontecimentos, as oportunidades. É ter necessidade e paixão como mais do que competir para alguma coisa, é adentrar nos reconhecimentos e dedicação a uma causa. É dar significado, sentido a vida. É repensar continuamente suas ideias e suas ações.

 

  • CONHECIMENTO PARA A VIDA, ASSIM A EFA ME ENCANTA Juliana de Souza Sfalcin – Psicopedagoga da EFA

É encantadora esta proposta que oportuniza momentos de debates e reflexão a toda comunidade escolar. Atuar em projetos de assessoria especial e psicopedagógica é motivo de grande satisfação e realização profissional por proporcionar às crianças e jovens um olhar diferenciado, oferecendo condições para a superação de problemas no processo de aprendizagem, os tornando mais confiantes, com autoestima elevada e autores de suas próprias histórias. Estou vivenciando algo muito especial e sou grata por fazer parte dessa linda história da EFA.

 

  • NOS PASSOS DE FRANCISCO DE ASSIS ME INSPIRO E ME TRANSFORMO Elisabete Beatriz Côrtes Foletto – Secretária da EFA

Cada qual em sua função contribui com a arte de Educar. Na recepção da Secretaria da EFA procuro fazer um atendimento de qualidade, com a cordialidade que todos merecem, e para isso é de suma importância ter informações precisas e constantemente atualizadas. As famílias vêm com muitas dúvidas e expectativas, seja para alunos que irão iniciar na Educação Infantil ou ainda transferidos de outras Instituições e precisam ser bem recebidas. Outras já estão conosco há muitos anos ou ainda um contato a distância e não menos importante com a Unidade Profissional da EFA em Três Passos, que acompanho, oriento e executo tarefas administrativas e pedagógicas. Situações diferentes, mas todos com a importância e o desejo de um trabalho com excelência. .Fazer parte da EFA, ver crescer e poder marcar de alguma forma as pessoas que passaram nestes vinte anos que aqui estou é um privilegio e uma alegria.

 

  • O MUNDO DA EFA ESTÁ ABERTO PARA QUEM PENSA, INQUIETA E DESACOMODA. Sandra Janice Nunes– Professora de Filosofia da EFA

Quando eu entrei na EFA a 4 anos atrás, eu fui procurar saber um pouco da história da escola, das suas bases de fundação. Eu tinha boas expectativas em função de que a escola é mantida da Unijuí, mas foi só estudando e conhecendo os depoimentos, os testemunhos e os documentos que percebi a grandiosidade da história dessa escola. Uma escola que busca proporcionar uma formação, crítica, cívica e humana do sujeito, fundada em pleno período da ditadura militar no Brasil já é, por só, de grande personalidade. Uma escola que trabalha filosofia com criança e, que muito antes da obrigatoriedade dessa disciplina na grade curricular ajudou a constituir a história da própria filosofia. É com muito orgulho e com muita responsabilidade, como de quem zela pelo legado dessa instituição que eu leciono Filosofia e a 2 anos também Sociologia na EFA. A Filosofia na EFA tem a tarefa de inquietar, questionar, desacomodar, promover a leitura, o pensamento crítico, a compreensão e possibilitar uma boa argumentação aos alunos, com referência em princípios lógicos, hermenêuticos e linguísticos em geral. É um orgulho fazer parte desse lugar, dessa Escola que marca a história, mas principalmente a alma das crianças e de todas as pessoas que ali estão.

            O não julgamento é palavra de ordem. É mobilização das ações para o bem. É fazer uma revolução silenciosa que gere movimento, aprendizado e crescimento. É o encantamento em demostrar que a vida é feita de dias bons e dias ruins. É entender que nossas decisões são carregadas de perdas e ganhos. É pensar que se faz história todos os dias e que se pode fazer, colaborar, participar de uma trajetória com mais amorosidade, mais reflexões sobre as crenças, os pensamentos e os comportamentos que se tem, suas origens e a melhor forma de tirarmos proveito da vida compartilhada.

  • VIVI A EFA 20 ANOS E ME TRANSFORMEI - Miriam Bisognin Santi - Assistente de Pesquisa e Extensão Pleno MADP - Museu Antropológico Diretor Pestana

Desde a primeira vez que trabalhei na Biblioteca Sonho Infantil e depois Biblioteca Mario Quintana... foram quase 20 anos. Falar deste tempo! Foram muitas aprendizagens... acredito ter ensinado, também! Quantos “me diz um livro bom, pra ler... Separa livros sobre tal assunto...” Quantos bilhetes às famílias, lembrando que o(a) filho(a) tinha muuitooos livros em casa... quantos: hoje você pode retirar um mas precisa trazer os que você já tem... Quantas pesquisas e temas! Quantas histórias contadas! Nem consigo imaginar quantos livros emprestados, consertados, colados, costurados, guardados... Alguns me veem e, lembram das multas! Mas o bom é que percebo até hoje, que para muitos, alguma coisa boa ficou!

 

  • APRENDIZADO QUE INSPIRA E TRANSFORMA Sandra Maria Marchewiz Kistmãe de ex-alunos e proprietária do Restaurante Cozinha Brasil

Quando a professora Rosane me pediu um depoimento sobre a escola EFA, logo veio a minha mente muitas emoções. Meus filhos em idade escolar e isso já fazem muitos anos. Mas com certeza os melhores da minha vida e deles também. Meus filhos Rodolfo e Gabriel amavam essa escola, viviam EFA dia e noite, entraram no maternal e saíram após completar o segundo grau. Foram crescendo adquirindo conhecimentos gerais, mas acima de tudo se tornando seres humanos lindos, com respeito a tudo e a todos, aprendendo a cuidar da vida no planeta terra. Sempre um trabalho Escola/Família juntos. Procurei sempre estar presente como mãe e amiga, em todos os momentos que achei necessário. Agradeço muito a todos envolvidos neste processo de Educação com muita responsabilidade nossas crianças, em especial as minhas. Obrigada e um grande abraço

 

           A educação para o encantamento é uma herança que se passa de uns para os outros e recebe de volta, quando menos se espera. Por isso, essa herança não é um privilégio das crianças. Não há idade certa para educar alguém na arte do reparo. Educar um adolescente ou um adulto para o encantamento pode ser mais difícil, mais trabalhoso, mais demorado, mas é possível, essencial e urgente.

 

  • INSPIRADO POR CUIDAR DE GENTE: Os vigilantes

 

Sr. Enio Viana. Sou vigilante da UNIJUI, portanto no período escolar da EFA, sou cedido para a portaria da Escola para dar segurança aos nossos alunos. É muito importante minha função, pois ajudo os professores no aprendizado e formação de todos.

 

Sr. João do Rosário.  Escrevo para expressar minha alegria de fazer parte dos 50 anos da Escola. São 23 anos trabalhando na vigilância da EFA. Posso dizer que foi bom, ter uma experiência extremamente positiva, é uma alegria gratificante aprender com Direção, Professores e Alunos. Sempre realizei meu trabalho com as crianças com muita satisfação desde 12 de maio de 1994. Digo com sinceridade, sou uma pessoa realizada.

 

  • O CUIDADO COM A APRENDIZAGEM EXIGE AMOROSIDADE, VIGILÂNCIA E DIÁLOGO Carla Adriana Frantz Dal Molin - Professora de Matemática e Conselheira de turma.

A escola é espaço de construção, sistematização, apropriação e socialização do conhecimento. Ao mesmo tempo que uma turma se caracteriza por uma grande diversidade de ideias, valores e de múltiplas formas de expressar o que se pensa, não há nada de homogêneo nem de simplicidade. A sala de aula , torna-se também espaço de conflitos. Na EFA, como professora conselheira tenho perpassado os caminhos da sala de aula e dos conselhos de classe, pois além de contribuir nas boas relações, possui um canal mais aberto de diálogo com seus alunos, havendo melhor compreensão e compromisso por parte desses, que acreditamos serem elementos indispensáveis para que haja aprendizagem. Escolhido pelos alunos, por voto direto, no início do ano, o professor conselheiro exerce a função de elemento de ligação/mediação entre alunos e demais setores da escola, auxiliando no bom desempenho da turma.

 

  • O APRENDIZADO PELO LÚDICO E PELO MOVIMENTO

Paulo Carlan – Professor do curso de Educação Física da UNIJUI.

Lembro bem do tempo quando éramos colegas na EFA, tínhamos um grupo bem mais reduzido de professores e alunos. A EFA cresceu, não só o coletivo de professores e alunos como também dos desafios de aprendizagem. O pátio da EFA/anexo era um espaço de experiência, de aprendizagem e de convivência, ou seja, o PPP da Escola entendia o pátio como um território fundamental da constituição das crianças e eu espero que a EFA/Sede consiga manter em seu PPP aquela conquista de muitas mãos. Pelo que acompanho, os espaços na Sede estão se constituindo e sendo referência para crianças, jovens e adultos.  E se hoje estou na Unijuí também foi fundamentalmente porque na EFA com o coletivo dos professores principalmente da educação infantil e do Wilton Trapp tive a oportunidade de aprender ver o mundo de forma crítica, entender o brincar, a infância, o movimento humano, o lúdico, o Homem, enfim a EFA me  potencializou profissionalmente, por isso tenho um carinho muito especial por essa escola, como pai e como profissional. 

 

  • EFA INSPIRANDO ESPAÇOS PARA CRESCER, CONQUISTAR SONHOS E VER A VIDA COM OUTROS OLHOS

              Ceres Avila - Mercadóloga e  Analista de Redes Sociais da Unimed Noroeste/RS

EFA na história da minha vida tem um papel muito importante, foi muito mais que uma escola, foi e é uma família que me recebeu e me ensinou a cada dia, e que me deu espaço para crescer e ensinar também. Fui aluna do Curso Técnico em Desenvolvimento Web e Hipermídia da EFA. Estagiária CIEE e foi com este inicio e mais tarde como funcionária na área de Comunicação e Marketing, que principalmente compreendi a minha vocação, tive contato com seu projeto pedagógico que me inspirou a crescer, conquistar meus sonhos, enxergar a vida com um olhar diferente. E hoje mesmo distante, levo no coração essa escola que foi minha como aluna e como profissional. Levo a EFA para a vida.

 


Publicações

1978- Livro de Poesias “Gotas de Infância” de Eliana Cristiana Brum (produção de aluna)

1980- “Pegadas” de Ana Cristina Fricke Matte (produção de aluna)

1981- “ Alfabetização: um desafio novo para um mundo novo de Iselda Sausen Feil, editora ....

1985- “Os impossíveis e o hospital abandonado” de Adriana Lorenizoni Lucchese, Maria Fonseca Falkembach e Julia Cristina Medeiros (produção de alunas)

1985- Inicia a série “Criança faz Poesia”. Atualmente temos  a XIII edição. (produção de crianças, jovens, professores e algumas participações especiais).

1985- “A Música na Primeira Escola” de Rosane Nunes Becker da editora UNIJUI. (Produção da capa do pai Vladinei R. Weschenfelder)

1986- “Teatro na Escola I” alunos mostram o que fazem. Organizado por Rosane Nunes Becker da editora Unijui. 1ª ed.

1988- “Teatro na Escola II” alunos analisam o que fazem. Organizado por Rosane Nunes Becker da editora Unijui. 1ª ed. E 2ª ed. do Teatro na escola I.

1989- “Cala boca não morreu: a linguagem na pré-escola” de Walburga Arns da Silva da editora Vozes.

1989- 2ª ed. Revisada e ampliada do livro de música, agora com o título “Musicalização: da descoberta a consciência rítmica e sonora” de Rosane Nunes Becker em colaboração de Marília de Mattos Berg da 36 CRE, da editora UNIJUI.

 1990- “ A natureza e os animais” de André Canal Marques


Os caminhos a seguir: A vida e a Escola em movimento

 Vejo várias pessoas confundindo educação para a vida com educação para o resultado, para a competição e para o êxito. Como se o resultado, a competição e o êxito fossem sempre um fim, e não a consequência de todo um caminho.

Marcio Vassalo

 

           Toda sedução exige espera. A educação exige paciência, investimento, fruto de muitos caminhos.  E preciso deixar as palavras e as decisões darem forma para o encantamento, que costuma ser uma atitude de pessoas que cultivam as suas próprias identidades e de crianças que ainda não se transformaram em meros esboços de adultos. Diante das inúmeras modificações que se apresentam na sociedade globalizada, surgem novos desafios para a educação, um deles é não perder a magia do sonho, do olhar, do gesto, das palavras. Em seu discurso o escritor Saramago contou como descobriu que a avó dele também acreditava em sonhos.

“Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: ‘O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer’. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada”.

         Estabelece-se uma múltipla tarefa, de um lado atender as exigências do mercado globalizado e de outro a formação humana enquanto coisas úteis e coisas frívolas, inúteis. Quantas vezes a beleza consola, ampara, amansa, suaviza, transforma e salva as pessoas diante das tristezas, dos vazios, das raivas, dos tropeços, das ansiedades, dos pavores e das dores aparentemente mais irremediáveis. Nesse meio encontra-se a escola procurando se organizar de maneira a atingir, da melhor forma, esses desafios. As tecnologias, a humanização e sensibilidade artística e a aprendizagem complexa.

           A escola está sempre em movimento, sua comunidade escolar engajada nos ideais de educação que se acredita, e é assim que a mãe do Rodolfo do 3º ano do ensino médio, turma 231, Rejane Paze descreve seu lugar:

ao optar por uma escola que além de possibilitar aprendizagens escolares, busquei para filho um lugar onde pudesse se tornar um cidadão com princípios de auxiliar no bem comum e refletir sobre a sociedade. Isso a EFA vem fazendo ao longo destes três anos de Ensino Médio, imprimindo essa marca. A EFA hoje está consolidada com um projeto que privilegia o ensino através da pesquisa e, portanto, desafia os alunos a buscarem o seu aprendizado. Busquei me inserir da forma mais participativa e, com isso, fui integrante da diretoria do Conselho de Pais e também Mãe Conselheira. Desafio que me permitiu boas amizades além de contribuir junto a escola para o êxito do trabalho pedagógico.

 

         Estar imerso em um mundo de bons relacionamentos, conectados ao pensamento do presente e do futuro.  Quando se pensa em futuro, inevitável a ideia das tecnologias. Sim, fundamental estar conectado ao mundo virtual. Ao mesmo tempo uma escola de educação básica não pode perder de vista seus propósitos: a humanização e o futuro/cuidado com nosso planeta. Proporcionar convívio entre crianças e jovens, pela amorosidade e respeito, já é um ambiente favorável ao saber. As pessoas sentindo-se valorizadas em suas opiniões e nos seus modos de ser e ver o mundo, no sentimento de pertencimento. A sala de aula como espaço aberto de trocas de conhecimento aberta a todo tipo de interações e participações diversas.

       Cultuar projetos inovadores é ter impacto direto na criação de uma cultura do aprendizado. A capacidade de criar, questionar e inovar são determinantes no mundo contemporâneo. Mudar esse cenário exige alterar radicalmente a experiência dos alunos, para que eles passem de receptores passivos de conteúdo à protagonistas do próprio aprendizado.  Projetos inovadores ajudam alunos a explorar novas possibilidades e cenários, dando a eles uma perspectiva mais prática e contextualizada dos conteúdos. Com esses projetos, os estudantes ganham a chance de colocar a mão na massa e fazer suas próprias descobertas, indo além da teoria.

        Em 1998, a EFA comemorou 07 projetos selecionados pelo Banco Mundial e CENPEC. Foram considerados inovadores pela organização, estrutura e relevância social. Os projetos foram: Estudo do Leite e Fabricação do Queijo, História Temática do Ensino Médio, Uma Proposta para o Ensino das Funções Elementares da Matemática, História de Família, Noções de Biologia Marinha, Poesia na Escola, Projeto Interdisciplinar de Física, Química e Biologia. (Revista dos 30 anos da EFA, pg. 37)

                   Estes projetos não foram construídos para a finalidade de competição, foram pesquisas e abordagens do grupo de professores que se mantém até os dias de hoje, revistos, ampliados e com novas organizações temáticas. O encantamento tem que ser o desdobramento de uma autêntica maneira de ser e ver suas praticas pedagógicas, de uma disponibilidade permanente para reparar e parar, ou parar para reparar.

                 Com isso, o compromisso da EFA, se traduz na qualidade de um projeto educacional fundamentado num trabalho de reflexão constante, em sintonia com o que se produz de mais avançado, nas áreas de conhecimento relacionadas com Educação. O encantamento é a consequência de um interesse incondicional que a gente pode ter pelo que há de mais irresistível numa vida com leveza, com poesia, com assombros no cotidiano, com afeto amoroso.

 Na contemporaneidade da EFA muitos projetos se destacam como inovadores pela ousadia da busca incessante da pesquisa e do sentido em ensinar e aprender. Destaque para as Jornadas de Pesquisa da educação infantil ao ensino médio. Os projetos em conjunto com a universidade como o Mão Massa, Robótica, Qual é o seu idioma, além dos destaques em concursos de redação e participações em eventos da UNIJUI.

                 A relação de confiança mútua e a identificação da comunidade de pais com os valores básicos da Escola são fatores fundamentais para a plena realização da proposta educacional. Além de investir na qualificação dos seus profissionais, a EFA busca assegurar condições de trabalho adequadas num ambiente de trabalho democrático e participativo, em que diferentes competências geram uma dinâmica de troca produtiva. Compartilhados por todos os educadores que trabalham nas funções pedagógicas e pelos profissionais que dão sustentação à qualidade das atividades educacionais, os caminhos da EFA têm sido pontuados pela disposição para um ambiente institucional em que reflexão, registro e avaliação do que é realizado nas classes somam-se ao exercício contínuo de desenvolvimento de formas democráticas de convívio, pautadas pelo diálogo, solidariedade e respeito.

                A educação para o encantamento é uma das heranças mais preciosas que alguém pode passar para outro. As mães são mágicas, as professoras de crianças e jovens, assim como todas as pessoas que amam o que fazem. Ensinar a parar e reparar em beleza que ninguém vê. Educar para transformar cenas comuns em surpresas sublimes. Encantar para a curiosidade, para o pensar, para o investigar, para o ampliar conhecimentos, para com garra superar limites e chegar ao tal almejado sucesso.


Espaço de Opinião

Professor josei Fernandes pereira

 

Um exercício que todo o historiador procura evitar (muito embora frequentemente sejamos convocados a nos posicionar a este respeito) é o exercício da previsão. “Mas a história não estuda o passado para compreender o presente e projetar o futuro?”, perguntam alguns. Sim. E não. O estudo do passado nos possibilita, sim, compreender melhor as razões pelas quais o contexto atual encontra-se no estado em que está. Refletindo sobre o passado, compreendemos melhor a trajetória e as condições que levaram a construção das estruturas das sociedades, economias e culturas atuais. No entanto, a História não é ciência exata; o passado não se repete (embora as vezes ele parece persistir teimosamente na mentalidade de alguns indivíduos) e qualquer esforço além refletir sobre os fatos passados converte-se facilmente em mera ficção literária ou idealismo utópico.

Isto posto, informamos ao leitor que este curto ensaio não se procurará em fazer previsões, projeções, apontar caminhos ou soluções para os problemas que afligem a educação e, consequentemente, que poderiam ser indicativo de uma direção de natureza teórica para o projeto político e pedagógico desta escola que completa meio século de existência. Quer, sim, refletir sobre as perspectivas e os desafios que atualmente se descortinam a nossa frente, procurando discutir as necessidades imediatas de adaptação aos novos tempos, às novas tecnologias, às novas realidades socioculturais, aos novos paradigmas que neste momento apresentam-se como destinos quase irresistíveis para a sociedade e, por extensão, à educação escolar.

Um Projeto Político Pedagógico configura-se como o centro nervoso de uma escola; documento de caráter democrático, cuja construção depende da participação de todos os sujeitos que integram a comunidade escolar (equipe gestora, professores, alunos, pais e funcionários). É importante frisar que sem esta representatividade, o documento perde-se em seus princípios fundamentais, servindo como mera descrição dos currículos escolares. Concordamos com Paulo Freire, ao afirmar que todo processo de educação é político pois baseia-se em escolhas. No Projeto Político Pedagógico, estas escolhas se configuram em valores, princípios, objetivos, regras, currículos, conceitos. Todas estas escolhas remetem a um contínuo esforço de posicionamento político e ideológico sendo, portanto, imperativa a presença de todos os sujeitos que integram esta comunidade escolar. Mas o documento também tem fundamental importância pedagógica, já que implica na seleção de currículos que, seguindo orientações e parâmetros nacionais e adaptado-os às condições locais/comunitárias, impactarão diretamente na condução da formação básica de crianças e jovens, reforçando assim seu caráter participativo. Estas questões introdutórias são fundamentais para iniciarmos a reflexão sobre as perspectivas futuras que se apresentam. Mas antes, vamos pontuar alguns aspectos importantes da trajetória da escola, que são igualmente fundamentais neste esforço reflexivo.

Em sua trajetória educativa, a EFA sempre foi reconhecida pela comunidade regional pelo movimento vanguardista de educação generalista de caráter humanista, valores estes nascidos no interior de uma experiência inovadora de formação das bases comunitárias, o Movimento Comunitário de Bases de Ijuí. No “dna” da EFA circulam os mesmos genes da fundação da FAFI, da UNIJUI, do MADP (Museu regional), instituições nascidas no interstício democrático em meados dos anos 1950 e que foram fundamentais para a discussão dos caminhos para o desenvolvimento regional ao longo da segunda metade do século 20. Nossa escola é hoje o resultado do que aqueles pioneiros sonharam como ideal de futuro, possibilitado pela soma do seu trabalho e o esforço coletivo dos inúmeros sujeitos que participaram deste projeto ao longo dos anos. Esta herança amplia ainda mais a responsabilidade da atual geração de profissionais que constituem a EFA, no sentido de que cabe a eles (nós) a tarefa de pensar a continuidade destes ideais de desenvolvimento regional; de consolidar as conquistas e incorporar os novos desafios; de pensar o desenvolvimento regional por meio da educação, este que é o propósito maior da Fundação à que pertence esta escola.

Embora o objetivo deste texto seja o de fazer projeções de curto prazo e pensar a continuidade e a ampliação do projeto de escola, como historiador não posso deixar de exercitar a reflexão sobre as experiências passadas para amparar esta tentativa de reflexão sobre os caminhos futuros. Gosto de pensar que nossa escola nasce como resultado das perturbações políticas do ano 1968, o “ano que não acabou”, segundo o jornalista Zuenir Ventura. A guerra fria intensificada e a divisão do mundo em dois blocos causava efeitos deletérios no equilíbrio sociopolítico de toda a América Latina. Quatro anos haviam se passado do golpe civil-militar de 1964, o governo ditatorial engrossava a repressão e o autoritarismo mostrava sua face mais cruel com a emissão do Ato Institucional número 5, o flagelo das liberdades civis e de todos os que ainda defendiam publicamente a democracia. Dessa forma, em seus primeiros 30 anos de existência (1968-1988) a escola co-existiu com um dos mais severos períodos da história brasileira, constituindo-se em uma centelha de esperança em dias melhores, sob a pesada sombra do autoritarismo dos anos de chumbo da ditadura militar. EFA e Fidene representaram juntas, por meio das atividades educativas que desempenhavam, quer seja na educação básica ou superior, parte iguais destes ideais libertários duramente reprimidos nos grandes centros urbanos do país.

O fim da ditadura representou um alívio das tensões políticas e o surgimento de um novo período na história republicana brasileira. A educação nacional também se modifica, ampliando gradativamente as estruturas em direção ao ideal de universalização do acesso, inclusive com a conquista do título de Universidade à UNIJUI. Nossa escola também se amplia, integrando novas dimensões do ensino, com a criação do ensino de segundo grau (ensino médio) em 1993 e a conversão em Centro de Educação em 2007, com a incorporação da educação profissional.

Muitas foram as transformações presenciadas pela escola em sua experiência histórica. Turbulências políticas e econômicas de caráter nacional têm sido uma constante neste ínterim, razão pela qual o projeto da escola têm se adaptado continuamente às mudanças conjunturais da sociedade brasileira. Nas últimas décadas, um sentimento de aceleração do ritmo das transformações tem causado grande desconforto a todos os segmentos da sociedade, como se tudo o que se soubesse até o dia de ontem, hoje não tivesse mais valor; como se as experiências vividas perdessem significado diante das transformações científicas e tecnológicas pelas quais o mundo inteiro (e não apenas nosso país) estão passando.

Vivemos em uma era marcada pela intensidade e pela velocidade das transformações, fruto do avanço rápido da produção e acúmulo de conhecimento. As novas mídias, as novas tecnologias de comunicação e as novas culturas surgidas destas transformações, tem repercutido de forma igualmente intensa nas relações de trabalho, nas relações políticas e, por consequência, nos processos educacionais (formais e informais), ampliando esta sensação de perda das referências historicamente construídas. E é diante destes desafios que devemos pensar em novos rumos, em novos projetos, que considerem a complexidade destas novas relações sociais. As escolas do século 21 precisarão estar conectadas aos anseios e necessidades destas novas realidades sociais, atentas às contradições oriundas do desenvolvimento tecnológico e científico, dispostas a reinventar-se conjuntamente com a sociedade à qual está integrada e à qual terá a responsabilidade de conduzir a formação básica dos seus indivíduos.

Mas além das transformações de caráter científico e tecnológico, também vivemos também em uma era de grande turbulência política, de ampliação das contradições socioeconômicas e tentativas de retrocessos em todos os campos das políticas públicas. Tal qual o contexto de 1968, nossa escola encontra-se diante da necessidade de reinventar-se, refletindo sobre os novos papéis que deverá desenvolver nesta nova sociedade que se descortina, posicionando-se adequadamente frente ao avanço de toda a espécie de discursos de caráter autoritário que se multiplicam e potencializam estas contradições. Torna-se imprescindível a construção de um projeto político pedagógico que dê conta tanto de conservar os avanços conquistados, no campo dos direitos civis, políticos e sociais, duramente defendidos ao longo dos últimos 30 anos; quanto no sentido de avançar no desenvolvimento, adequando-se às transformações pelas quais estas mesmas sociedades estão neste momento passando. A própria defesa da democracia surge como uma demanda urgente em nossa sociedade, estranhos tempos em que devemos defender o óbvio, como talvez se surpreenderia novamente Bertold Brecht.

Enorme é a tarefa de refletir as transformações de dentro de seus próprios desdobramentos; como um meteorologista que depende de encarar o olho de um furacão para coletar os dados necessários para compreendê-lo e, só assim, conseguir em pensar em estratégias para sobreviver à turbulência climática. Pensar as transformações da educação de dentro da própria educação, será o desafio dos educadores do século 21, que precisarão ter a habilidade de refletir sua própria práxis em meio as transformações cada vez mais intensas da sociedade.

Em suma, debates sobre os avanços da ciência e da tecnologia, nos campos da inteligência artificial, engenharia genética, viagens interplanetárias, necessidade de desenvolvimento de novas formas de energia, somados ao acirramento das tensões políticas, eclosão de movimentos de caráter sectário, manifestações de ódio contra as diferenças, a crescente ameaça de destruição das condições de vida no planeta (pelas guerras, pela poluição e pela cultura de consumo), são apenas algumas das questões-chave com as quais os sujeitos escolares deverão se ocupar na construção dos projetos políticos pedagógicos de suas respectivas escolas ainda nesta primeira metade do século 21. Para além disto, o que nos espera dependerá essencialmente da maneira como conseguiremos lidar com estes cenários e suas perspectivas; e no caso da EFA, de como conseguiremos trabalhar estas questões enquanto centro de educação básica umbilicalmente ligado a uma instituição de desenvolvimento regional.

             Sob o legado dos pioneiros da FAFI e do MCBI. Sob esse legado mantemos o alicerce sob o qual deveremos assentar as vigas mestras deste novo projeto. A opção por dar continuidade ao seu sonho de desenvolvimento regional, traz consigo a responsabilidade de realização de um projeto de educação ampla, crítica e responsável, que consiga posicionar-se frente às transformações, crises e desdobramentos dos cenários políticos, culturais, econômicos, ambientais, científicos e tecnológicos que tomam forma diante de nossas salas de aula, de nossos laboratórios de ensino, de nossa biblioteca e dos demais espaços pedagógicos.