Especial 50 Anos EFA

Arte e Cidadania: Talento para fazer a Diferença

     Para Augusto Rodrigues, criador das Escolinhas de Arte Brasil, o educador precisava ter um comportamento aberto, livre com a criança; uma relação em que a comunicação existisse através do fazer e não do que pudéssemos dar como tarefa ou como ensinamento, mas através do fazer e do reconhecimento da importância do que era feito pela criança e da observação do que ela produzia. De estimulá-la a trabalhar sobre ela mesma, sobre o resultado último, desviando-a, portanto, da competição e desmontando a ideia de que ali estavam para serem artistas.

    As memórias e legado de Augusto Rodrigues impregnam a filosofia da EFA.  O percurso criativo como o exprimir do potencial de cada um e a reconhecer que todos possuem habilidades, com isso surgem os projetos e as ações inovadoras que impulsionam e fortalecem a marca EFA. É um processo pelo qual os estudantes passam das atividades mecanizadas da arte como cópia e reprodução fiel e estereotipada da imagem, de uma música, de um texto, de uma dança para um processo inventivo, criativo, expressivo  mergulhando no universo artístico: conhecendo referências e explorando materiais como base para produzir nas diferentes linguagens.   Estimular o potencial criador de crianças e jovens enriquece o desenvolvimento deles como sujeitos e cidadãos.


A Poesia está no Ar!

               A poesia está impregnada na EFA. A escola respira o texto poético, quando todos os professores passam por formação especifica, não só os de Português e Literatura, as crianças e os jovens se acometem do pecado capitalista do brincar e soltar palavras ao vento e ao registro do jogo.

  • O ex-aluno, hoje pai da Laura e do Guilherme da escola Daniel Knebel Baggio escreveu:

Recordações da minha Escolinha Francisco de Assis – EFA

[...] os jogos, as aventuras, as amizades puras,

As discussões, as vivências, as novas experiências,

Uma protetora de novos talentos e de novos seres.

Uma protetora de seres criativos,

Seres com senso crítico que conhecem seu lugar![...]

 

[...]EFA,

Uma das filhas da nossa mãe UNIJUI,

Duas grandes potências da cidade de Ijuí,

Onde estudei, cresci e muito aprendi.

Lugar onde meus filhos irão estudar,

Onde meus filhos irão crescer e aprender a cooperação que devem cultivar.

 

                Poetar é pra todos. Quadrinhas, trava-línguas, rimas simples e versos escansionados, mergulhando no texto em verso. Arriscar-se é o lema. Arriscar-se à rima, à quadra, à estrofe e a construção de poemas.  Exercitar-se nesta empreitada é acreditar que é possível desenvolver o olhar poético e a capacidade de interagir com o mundo num ritmo particular de criticidade, de sensibilidade, de mexer com o belo e o feio, o certo e o errado, com a magia do brincar com palavras, permitindo-se ao devaneio, sem perder a capacidade de pensar que o mundo está aberto para quem pensa e faz do mundo, um lugar melhor para se viver e conviver.

  • Ex-aluno Frederico Souza (13 anos, 7ª série, turma 71) livro de poesias III- alunos mostram o que fazem

 

Saudades

 

[...] O que aconteceu com aquela pátria?

Sumiu nos livros

Daqueles escritores

No meio de tantos outros

Num canto esquecido

Deste mundo de saudades [...]

 

         Quem matou a poesia? Indaga o conjunto porto-alegrense Engenheiros do Havaí em uma conhecida música. Respondemos: ninguém.  Como diz o professor Ricardo Amaral:

Felizmente, a poesia não morreu, embora esteja moribunda. No mundo moderno, comandado pela cultura da mídia de comunicação de massa, o texto literário tornou-se restrito a um pequeno numero de pessoas. [...] no mundo do audiovisual, a nossa própria imaginação já tem que ser fornecida para que não despendamos o esforço de elaborá-la. É claro que se paga um preço alto: se alguém pensa por nós, nós perdemos o hábito de pensar e podemos nunca mais readquirí-lo.[...] ler e produzir poesia é mais do que importante. É um elemento fundamental da essência humana que aqui começa  a se recuperar. O otimismo é justificado. ( Introdução do Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem)

 

  • Ex-professor, professor da UNIJUI e hoje pai da aluna Penélope da Educação Infantil, Anderson Amaral de Oliveira.

 

Folhas soltas

[...] caio em rodopio

Levanto em seguido

E dissimulo

Ao rir da própria sorte.

Sopro a areia da amplulheta

Fazendo versos brancos

Para me jogar novamente

Num abismo de devaneios,

Para sentir os lábios secando

E as rugas aparecendo

Enquanto paro e contemplo a beleza

Em uma flor qualquer nascida. Arranco-a então.

As rugas como linhas vividas

São musicas de um livro de memorias intitulado:

(...)

  • Das ex- alunas Helena Basso e Regina Zanon (8 anos, 2ª série, Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem/1992)

 

O gato e o rato

O gato e o rato são um barato

De tantos pratos e tratos

Que jogam na cabeça de um outro rato e de um pato.

De tanta folia

Foram parar na cozinha da vizinha

A vizinha viu e se confundiu

Achando que era o fim do Brasil. [...]

 

  • Da professora e coordenadora pedagógica Rosana Barros

 

Eva e Adão

[...] A simplicidade é poder estar

Onde a gênese se acende

Deixe, pois de tanto lamentar [...]

 

  • Dos ex-alunos Maiquel Silva e Sergio Callai (9 anos, 3ª série, turma 31, Livro Poesia III- alunos mostram o que fazem/1992)

 

Cuida o dedo

Cuida o diabinho colocando o dedo no liquidificador!

- Sumiu o dedo!

Olha o Collor colocando o dedo no liquidificador!

- Deixa ralar!

Olha o Michel Jackson colocando o dedo no liquidificador!

- Tira!!!

Olha o Raí colocando o dedo no liquidificador!

Porcaria, trancou!

  • Do professor e poeta Claudio Trindade

 

 

Poesia na Escola

       Num tempo em que a tecnologia centraliza para um único meio todas as mensagens, em que se anseia por poder e dinheiro sem pudor, num tempo de muita pressa e valorização do ter, sem preocupação com o impacto de atitudes que geram desigualdade social, a EFA concebe a arte como um contraponto e traz a poesia como uma forma de sensibilização a partir da energia que têm as palavras e das emoções que elas despertam.

       A poesia é um dos gêneros textuais presentes na vida escolar de seus alunos. É necessário a cada um encontrar seu modo pessoal e próprio de ser, viver e contribuir com o mundo a partir de sua singularidade. Dessa forma, o livro Poesia: alunos mostram o que fazem, que teve sua primeira edição em 1985 e alcançou a 11ª em 2013, reúne textos de todos os alunos, da educação infantil ao ensino médio, independentemente de qual seja a sua aptidão para “lutar” com palavras, pois significados são criados e sustentados coletivamente!

Elita Maria Bianchi Tessari- Mestre em Linguística Aplicada- Professora dos anos finais e ensino médio

 


O TRANSPIRAR DA MUSICALIDADE! Na sala de aula

A Música é uma das linguagens artísticas mais antiga da humanidade. A Escola não poderia deixar de oferecer em seu currículo tamanho legado da história da humanidade. Com um professor e maestro qualificado, a música passa do jogo, da exploração à precisão como estudo e linguagem. O professor Oséias Machado acredita que a forma lúdica e interativa dos sons e ritmos, as canções, o desenvolvimento da percepção e sensibilização auditiva são expressas desde a mais tenra idade na educação infantil e anos iniciais através de brincadeiras, rodas cantadas, experimentação e fabricação de instrumentos musicais variados, atividades com fonemas, interpretação simbólica e canto. Há um transpirar diário na Escola de sons de alegria da natureza que envolve a cotidianeidade. Para os maiores dos anos finais o ensino musical busca ampliar o repertório e conhecimentos musicais, sem abandonar a importância da expressão, da criatividade e da sensibilização musical enquanto cultura, arte e aprendizado. O estudo da flauta doce como instrumento de expressividade e aprendizagem é o ponta pé inicial que depois mais tarde, no oitavo (8º) ano, a EFA tem como referência o trabalho com o processo musical intensificado e se diversificado, momento em que os alunos tem a opção de escolherem um instrumento de estudo que utilizarão para seu desenvolvimento, entre eles o violão, teclado ou a flauta, podendo também optar por similares que desejem aprofundar, assim como no sexto ano o tempo de estudo está dividido em dois semestres onde o aluno passará um semestre com estudo de música e outro em artes plásticas.

 

MÚSICA...Cantar e cantar as belezas de ser um eterno aprendiz

Se fosse ensinar a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Ai, encantada com a beleza da música, a ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas. Por que as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. Rubem Alves

         A infância que encanta possibilita que a música seja vivenciada de forma lúdica e dinâmica na EFA. Assim, Oséias Machado, professor de música e Agnes Aline H.Folck professora da Educação Infantil pensam e trabalham a música no ambiente escolar de forma alegre e favorável a contribuir com a aprendizagem, buscando através das atividades com musicadas proporcionar as crianças momentos sensoriais de livre expressão das emoções, contato com diferentes sons e ritmos e músicas com o objetivo de ofertar diferentes elementos para a formação de um sujeito mais alegre e feliz. Assim, os momentos de musicalização com a professora titular ou com o professor especialista  tem como foco, estimular e provocar a criatividade infantil pois, a vivência, a percepção, a interpretação e a improvisação possibilitam a aprendizagem individual e coletiva de forma agradável e prazerosa. Segundo a professora, “estas ricas experiências permitem a manifestação de diferentes habilidades, melhorando a comunicação, ampliando o desenvolvimento da criatividade, a coordenação e memória. As atividades são  exploradas de forma lúdica e coletiva, utilizando recursos como jogos, brincadeiras de roda, confecção de instrumentos musicais além de muita criatividades imaginação e fantasia. Acredito muito na importância do estímulo a música principalmente com os pequenos para que possam carregar estas vivencias e sentir o quanto a música possibilita expressar o que pensamos e sentimos. Eu, Agnes sou musicista, toco teclado, canto e por um bom tempo tive a oportunidade de fazer parte do Coral da Unijui onde atuava como meso soprano. Hoje continuo vivenciando a música tocando cantando e partilhando o que sei em sala em aula com meus pequenos fazendo das aulas mais alegres dinâmicas e divertidas”.


O TRANSPIRAR DA MUSICALIDADE! Os projetos especiais

Estudar música sozinho ou em grupos. Escolher um instrumento musical: violino, violoncelo, gaita de boca, guitarra, contra - baixo, ukulele, flauta transversal, saxofone, percussão, teclado, escaleta, técnica vocal, e outras possibilidades.

            Orquestra musical Paulo Rudi Scheneider. Projeto iniciado em 2015 que tem se desenvolvido nesse tempo em ensaios semanais e repercutido em várias apresentações internas e externas como MOEDUCITEC, Salão do Conhecimento, Aberturas de eventos, apresentações em outras cidades, Expo-Ijuí e outras. Desenvolve talentos, estimula a aprendizagem coletiva e a autonomia intelectual.

           Banda Marcial. Formada em 2008, permanece como destaque em eventos principalmente como o Desfile Cívico Militar de Sete de Setembro na Praça da República, também com ensaios semanais, os alunos se inscrevem e passam a participar das atividades de preparação para as apresentações, tanto este projeto quanto os outros mencionados tem um profundo viés de humanização e sociabilização do aluno em situações onde se coloca de forma participativa, solidária, expressiva e harmoniosa junto aos seus colegas na comunidade.


XADREZ!!!!! jogar e brincar as belezas de ser um eterno aprendiz

              Toda criança vive em um intenso processo de desenvolvimento corporal e mental, exigindo a cada instante uma nova função e a exploração de novas habilidades, sendo imprescindível que o brincar e os jogos por ser caráter lúdico e atrativo, façam parte desse processo. Para Piaget (1970), é por meio da atividade lúdica que a criança assimila ou interpreta a realidade de si própria. Segundo a professora de Educação Física Silvana Prattes, o jogo oferece grandes possibilidades pedagógicas para o desenvolvimento intelectual e social dos sujeitos e o educador poderá potencializar suas aulas ao incorporar o jogo em suas práticas educativas. Partindo desta perspectiva, e por entender que a Educação Física em suas práticas pedagógicas, no âmbito escolar, tematiza formas de atividades expressivas corporais como os jogos e brincadeiras, o esporte, a dança, as lutas e a ginástica, introduzimos o jogo do xadrez como uma prática escolar da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Através do xadrez, observou-se desenvolvimento do raciocínio lógico, da imaginação, da atenção, da cooperação, da compreensão sobre regras e limites, do respeito ao adversário, e a atenção. Partimos da dramatização de uma história, em que a criança é desafiada a imaginar e identificar as peças do xadrez. Ao contarmos a história, as crianças passam a participar e a encenar passagens e episódios, “Certo dia estava passeando na floresta dos Freis Capuchinhos e encontrei um castelo, lá morava um casal, o Rei (verbaliza-se o nome de um (a) jogador (a)) e a Rainha (verbaliza-se o nome de outro (a) jogador (a)...” e, assim as crianças movimentavam as peças no tabuleiro, conhecendo as peças, seus movimentos, criando um castelo. Cada movimento, cada orientação referente ao tabuleiro, foi associada a encenação dos movimentos com as peças de xadrez, para que a crianças construíssem a lógica do jogo. A sala de aula torna-se um espaço de imaginação, criação e aprendizagem.