Apresentação: EFA 50 anos - Encantamento Pela Educação

           

            Escrever uma Apresentação da Revista comemorativa aos 50 anos de atuação da EFA- Centro de Educação Básica Francisco de Assis, uma das instituições mantidas da FIDENE e parceira da UNIJUI, se constitui de um sentido muito significativo para mim. Vivi para contar a história do nascimento aos 50 anos dessa escola com a particularidade pedagógica, que me permito tomar como referência, por ser a área de minha formação e, portanto, a que me faculta esse olhar. As relações educativas que animavam a vida cotidiana da Escola pela dinâmica das práticas entre professores e alunos e entre escola e comunidade (pais, outros familiares, estudantes do ensino superior) encantaram desde os seus primeiros professores e alunos e despertaram uma atenção vigilante e entusiasmada, em especial das famílias, e inspiraram tantas outras escolas buscarem, também, novos modos de organização e condução de suas práticas educativas. Assim como também alguns cursos de licenciatura da UNIJUI, criados e/ou revitalizados nos anos 70 e 80 tiveram como uma das fontes de inspiração o que acontecera no IPPI, na Escolinha de Arte e depois com as propostas pedagógicas da Escola Francisco de Assis da educação pré-escolar ao ensino médio.  Por quê? Explico: os professores do ensino superior da FAFI/Unijui ou também atuavam na Escola ou tinham seus filhos (as) como estudantes nessa Escola e sua dedicação e participação na discussão e definição dos caminhos pedagógicos se faziam de contínuo. O líder/ fundador do IPPI, Professor Mario O. Marques acompanhou o desabrochar dessa experiência educativa e seu desenvolvimento até seus últimos dias de vida (2002) com emoção, inteligência e sabedoria investigativa e sistematizadora. Participou ativamente, valorizou cada avanço e acolheu com entusiasmo as propostas feitas pela EFA, como, por exemplo, a ideia de transformar os Boletins Informativos em uma Revista que integrasse experiências de outras escolas. E assim nasceu a Revista Espaços da Escola, entre outras iniciativas relatadas no corpo da Revista destinatária desta Apresentação. Ele ensinou, aprendeu com essa sua inserção (e seus permanentes estudos e em outras práticas educativas) e escreveu:

                 Ponto de partida e ponto de chegada da Pedagogia são as relações educativas em que se defrontam educadores e educandos na imediatez de práticas imediatas/determinadas. São muitos os espaços e tempos, as condições, em que se dão as práticas educativas diretas, imediatas: desde o grupo familiar, os grupos de iguais que perpassam toda a organização social (...) nas instituições em que convivem... ( 1990, p 128).

                 Educação entendida como admiração, encantamento e aposta nas possibilidades humanas é premissa, portanto, que tem orientado o percurso da EFA no afã da educação responsável e solidária, nesses seus 50 anos de história.  A ideia de uma escola voltada para a educação de crianças já constava dos Documentos Regulatório da FAFI desde o início. A marca profunda e enriquecedora que se originou da filosofia Cor ad Cor no ensino superior fluiu para a nossa Escola Francisco de Assis. Então, sua trajetória constituinte ocorre valorizando a participação, o diálogo, o outro como necessário ao permanente renovar, reencantando os espaços e revitalizando os processos educativos. Como primeira “pré-escola” (IPPI) de Ijuí deu testemunho de que criança precisa de cuidado e educação, também formal, desde seus primeiros anos de idade/infância.  

             No decorrer dessas cinco décadas, marcas apontam novos horizontes de conhecimentos e aguçam a crença nos sonhos e projetos de crianças e jovens, porque seus professores sonham e se reencantam continuamente.

            As colunas, tópicos específicos, depoimentos, textos que teorizam e explicitam visões de educadores com menos tempo na Escola, de outros que foram protagonistas em momentos anteriores, como constituintes dos desing no processo evolutivo da história pedagógica e adminstrativa ou gestionária da Escola constam das dezenas de páginas que estão à espera dos leitores que desejarem se encantar também com “O projeto EFA: o encantamento pela educação”. Nela o leitor pode constatar que, em vários passos de sua trajetória a EFA foi e é referência nos processos de incentivo a leitura, à produção intelectual de seus professores e estudantes de todas as idades; na investigação e publicização através de feiras de ciências, de criatividade, de livros; na igualdade de jogos e esportes para todos (idade, gênero com inclusão de qualquer dos diferentes) como forma lúdica de conhecer, aprender e conviver respeitosamente com os diversos segmentos ligados à instituição escolar.  E, mais, artes visuais, teatro, poesia, música como conteúdos relevantes na formação humana, todos analisados, praticados e, com reflexão, postos à crítica pública de familiares e também de professores e estudantes de outras escolas e níveis de ensino.

            Eis, retratada nessa Revista, a Escola que tive o privilégio de presenciar seu nascimento e seu desenvolvimento até então: 50 anos, marcando várias gerações e por elas marcada. Sou grata por ter participado desse projeto e, principalmente, por vê-lo fortalecido no seu tempo.

            Parabéns EFA pela sua rica história. Aplausos aos que te conceberam, gestaram e continuam acreditando reconstruindo concepção, aprimorando a gestação e acolhendo os novos desafios que a História propõe aos que também a constroem.

            Meu agradecimento repleto de emoções pela oportunidade a mim oferecida para produzir a apresentação desse periódico referente a uma instituição educativa, cujo pertencimento sinto profundamente, e por isso atravessa a minha história de educadora/pedagoga, mãe e avó.

            Na escrita que ora concluo a reflexão/rememoração dessa história e das gerações que a percorrem na Escola fizeram emergir uma parte de minha identidade atual: sou bisavó pedagógica, sem dúvida, neste ano de 2017.

Marques, M.O. Pedagogia a Ciência do Educador - 1.ed. Ijui: Editora Unijuí, 1990

   Professora Eronita Silva Barcelos.