Os diferentes olhares que o intercâmbio proporciona

 
 

Guilherme Hammarstrom Dobler, acadêmico de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária da Unijuí, conta neste relato como foi seu período de intercâmbio nos Estados Unidos da América.

Sou acadêmico do Curso de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária da Unijuí e durante dezoito meses desenvolvi atividades referentes à Graduação Sanduíche nos Estados Unidos da América.

O início do intercâmbio acadêmico pode ser descrito como um sentimento comum a todo estudante que se propõe vivenciar uma realidade diferente da qual está habituado. Costumo dizer que a possibilidade de estudos no exterior evidencia ao estudante a real organização da sociedade; este momento demonstra que o mundo é um emaranhado complexo, constituído e estabelecido através de diferentes culturas, possibilidades e formas de visualização das questões que são sem dúvida importante para a formação e desenvolvimento social.

A experiência pessoal e profissional que tive a oportunidade de viver iniciou com a expectativa comum a todos aqueles que se dispõe a vivenciar e desbravar as diferentes características que compõe a sociedade contemporânea. No mês de agosto de 2014 as emoções e o desejo para o desbrave se tornaram reais e eu parti das possibilidades para a realização: recebi a minha carta de aceite para a graduação sanduíche em uma Universidade localizada na cidade de Tucson, no Estado do Arizona, Estados Unidos da América. A Universidade, chamada “The University of Arizona”, foi o local onde pude ter as primeiras impressões do que de fato são o ensino e o aprendizado nos Estados Unidos da América.

Os primeiros seis meses no país foram de grande importância para todo o processo, pois durante este período dediquei-me integralmente para o aprimorando dos conhecimentos referentes ao idioma estrangeiro - momento este chamado imersão cultural. Este período inicial agregou à minha vida acadêmica, profissional e pessoal um novo olhar, um olhar de profundo respeito e admiração pela heterogeneidade de culturas e suas especificidades. Digo isto pelo fato de que o Centro de Estudos Linguísticos da Universidade do Arizona possibilitou-me um contato muito íntimo com povos dos diferentes continentes, tais como Alemães, Angolanos, Árabes, Chineses, Franceses, Japoneses, Mexicanos, Peruanos, Russos, Tailandeses, etc.

A cidade de Tucson, com destaque ao câmpus da “The University of Arizona”.



 

 

A imersão no idioma estrangeiro no exterior é fantástica, pelo fato de que obriga de uma maneira prazerosa à construção de uma nova identidade pessoal, que permeia cultura, ética e linguística.

Prova de Comunicação Oral, sendo filmado meu  parceiro ("partner") Sírio George Jamal, à direita.



 

 

 

Apesar de o período de imersão ser cheio de responsabilidades e também de grandes desafios, utilizei o tempo livre para realizar pequenas viagens para explorar a nova casa. Lembro-me como se fosse hoje da viagem para o Grand Canyon que realizei com um grupo de estudantes de inglês, um grupo muito diversificado. Para que vocês possam imaginar, éramos estudantes de todas as partes do mundo e o coordenador da viagem, o professor Jim Epstein, americano, juntamente com sua esposa. Este casal de professores tem o Brasil como segunda casa, que visitam desde os anos 80, falando português de forma impressionante. Jim e sua esposa foram muito importantes no processo de aprendizagem da língua estrangeira, pois norteavam e aconselhavam importantes detalhes do idioma sempre em tom pacífico de educadores ímpares, sendo considerados por mim e grande parte dos brasileiros que lá residiam como pais americanos.

No Grand Canyon, Sr. e Sr.ª Epstein e eu ao meio.



 

 

Ao finalizar o processo de imersão, houve uma grande mudança nos planos. Uma grande parte dos estudantes estrangeiros da “The University of Arizona” foram realocados para realizar a graduação sanduíche na Capital do estado do Arizona, Phoenix. Eu fui remanejado para esta nova cidade, a nossa nova casa agora era a “Arizona State University”. Sem sombras de dúvidas, este período trouxe grandes expectativas não apenas pela troca de universidade mas por todo o processo que se iniciava. No entanto, eu não podia vislumbrar as mudanças que estavam prestes a ocorrer, mudanças estas de hábitos, estruturas e também do acesso ao conhecimento. Eu sinto que ganhei uma nova alma neste processo, a de explorador do globo, que convive agora com minha alma brasileira.

Na “Arizona State University” fui admitido para o Colégio de Letras e Ciências, cujo curso de ciências é reconhecidamente um dos 25 melhores do mundo! A “Arizona State University” me motivou a interagir e entender o meu campo de estudo de uma forma impossível de ser mensurada em palavras, eu só posso dizer que não tinha noção da proporção desta nova jornada. Um breve exemplo de tudo isto foi a oportunidade de ter aula e palestras com o grande cientista Charles Arntzen, um dos líderes do Projeto Zmapp Drug, que tem liderado os estudos já com resultados positivos para o desenvolvimento de uma droga efetiva contra o vírus Ebola.

Professor Charles Arntzen, Biológo Molecular do Centro de Biodesign. O centro de pesquisa utiliza o tabaco como maquinaria para o desenvolvimento do medicamento Zmapp já demostrado como efetivo contra o vírus Ebola. 



 

 

Poderia concluir esta entrevista explorando outros pontos positivos desta vivência, no entanto para finalizar apenas gostaria de ressaltar que o intercâmbio acadêmico tem um potencial de transformação de realidades, proporcionando grandes modificações na nossa formação e constituição, como sujeitos de uma sociedade que a cada dia se configura de uma forma mais e mais complexa. Portanto, meu conselho a todos que desejam explorar o mundo, assim como eu fiz, é de que se disponham a interagir e aprender em detalhe, com a poderosa ferramenta que é o intercâmbio acadêmico. O objetivo maior de todo este processo é fomentar cada vez mais o aprimoramento da educação, pesquisa e mercado de trabalho brasileiro. Portanto, todo e qualquer aprendizado será importante para o cenário regido pela competição, inovação e humanização dos processos que se entrelaçam no mundo acadêmico, profissional e pessoal. Sendo assim, as pessoas que vivenciam os diferentes olhares que formam a sociedade global inserem-se neste cenário como peças cruciais para as mudanças que se fazem necessárias.

Guilherme Hammarstrom Dobler

Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

Intercambista na Biological Science and Veterinary Medical Student Arizona State University