Na manhã do dia 7 de julho, os estudantes da turma 211 do Ensino Médio participaram de uma atividade interdisciplinar que uniu cinema, História e argumentação em um grande Tribunal Histórico de Alexandria, inspirado no filme Ágora (2009). A proposta teve como tema gerador a pergunta: "O que acontece com uma sociedade quando o conhecimento é perseguido?"

Após o estudo e a análise da obra cinematográfica, os alunos investigaram um dos períodos mais marcantes da Antiguidade Tardia, refletindo sobre as transformações do mundo romano, a ascensão do cristianismo, as disputas pelo poder político e religioso, o papel da ciência na Antiguidade e os impactos históricos da censura e da destruição do patrimônio cultural e científico.
Para aprofundar essas discussões, a turma foi organizada em grupos que representaram diferentes atores históricos presentes na Alexandria do século IV: pagãos, cristãos, autoridades romanas, filósofos e comerciantes. Cada grupo escolheu advogados de defesa e acusação, enquanto um corpo de jurados ficou responsável por analisar os argumentos apresentados durante o julgamento.
O tribunal foi estruturado em diferentes etapas. Na abertura, cada grupo apresentou sua posição sobre duas questões centrais: se Alexandria poderia ter evitado a destruição de seu patrimônio científico e cultural e quem seria o principal responsável pela ruptura entre ciência, política e religião retratada no filme. Em seguida, os estudantes apresentaram evidências históricas para sustentar seus argumentos, utilizando mapas, imagens, documentos, trechos do filme, citações de historiadores, linhas do tempo e dados arqueológicos.
Durante o interrogatório cruzado, os grupos formularam perguntas entre si, exercitando a capacidade de argumentar, responder a críticas e defender diferentes interpretações dos acontecimentos históricos. Ao final, nas alegações finais, cada equipe sintetizou suas conclusões antes da deliberação do júri, que avaliou a consistência dos argumentos, a qualidade das evidências apresentadas e a capacidade dos participantes de diferenciar opiniões de interpretações fundamentadas.
Mais do que reconstituir um episódio da História, a atividade proporcionou aos estudantes uma experiência de investigação histórica, estimulando competências essenciais como análise crítica de fontes, argumentação baseada em evidências, comunicação oral e empatia histórica. Ao assumir diferentes perspectivas sobre um mesmo acontecimento, os alunos compreenderam que a História é construída a partir da análise crítica das fontes e da complexidade das relações humanas, políticas, culturais e religiosas.
A iniciativa reforça o compromisso da escola com metodologias ativas de aprendizagem, nas quais os estudantes ocupam o papel de protagonistas na construção do conhecimento, desenvolvendo habilidades fundamentais para a formação acadêmica e cidadã.




