A literatura, a pesquisa histórica e o debate sobre representatividade ocuparam o centro das atenções no Centro de Eventos da Unijuí. No dia 3 de setembro, os estudantes da turma 231 do Ensino Médio da EFA – Centro de Educação Básica Francisco de Assis apresentaram a Mesa Literária de 2026, trazendo como eixo temático o projeto "Vozes de Mulheres: a construção da escrita feminina na literatura brasileira", sob orientação da professora de literatura Gabriela de Oliveira Zimmermann.
A atividade teve como plateia os demais colegas do Ensino Médio, proporcionando uma manhã de partilha de conhecimento, escuta atenta e valorização da produção intelectual e artística protagonizada por autoras nacionais ao longo dos séculos.
O projeto teve como objetivo geral investigar a trajetória da escrita feminina no país, compreendendo as barreiras históricas enfrentadas pelas mulheres para publicar suas obras e de que maneira desafiaram os limites sociais em diferentes épocas. Divididos em equipes temáticas, os jovens conduziram apresentações aprofundadas com análises de obras, leitura crítica e contextualização sociopolítica.
O itinerário de pesquisa percorreu desde as raízes do Brasil Colônia (1500–1800) — discutindo o papel da Igreja, o acesso à leitura e escritoras como Teresa Margarida da Silva e Orta e Bárbara Heliodora — até o século XIX, período marcado pelo Romantismo e por nomes fundamentais como Nísia Floresta e Maria Firmina dos Reis, autora do clássico Úrsula.
A evolução cronológica avançou pelo Modernismo e a profissionalização das escritoras com obras de Rachel de Queiroz (O Quinze), Patrícia Galvão (Pagu) e Cecília Meireles, chegando à densidade psicológica e à interioridade feminina retratadas por Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Hilda Hilst e Adélia Prado.
Um dos momentos mais reflexivos das apresentações tratou da literatura negra e indígena feminina, com ênfase no conceito de "escrevivência" cunhado por Conceição Evaristo e nas contribuições de Carolina Maria de Jesus e Eliane Potiguara, debatendo raça, classe e memória. Encerrando o ciclo de exposições, as turmas analisaram a literatura contemporânea de autoras como Ana Maria Gonçalves (Um Defeito de Cor), Aline Bei e Jarid Arraes, abordando o mercado editorial atual, a diversidade e as redes sociais.
A realização de mais uma edição da Mesa Literária reforça o compromisso pedagógico da EFA com uma formação crítica, autônoma e reflexiva. Ao articular a leitura analítica ao exercício da oratória e do diálogo com toda a comunidade discente, a instituição incentiva seus jovens a enxergarem na arte e na história ferramentas essenciais para a compreensão do mundo e para a construção de uma sociedade mais justa e plural.







