
Trabalhando há sete anos em farmácia comercial, o graduando do curso de Farmácia da Unijuí, Elias Júnior Attuati, acompanhou de perto a realidade da dispensação de medicamentos antes, durante e após a pandemia, o que despertou seu interesse pelo aumento na procura por antidepressivos. Essa observação motivou a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com o tema: “Análise temporal da dispensação de antidepressivos em farmácias comunitárias e públicas no município de Boa Vista do Buricá-RS entre 2018 e 2024”.
Sob orientação da professora Vanessa Bandeira, o estudo teve como objetivo analisar a comercialização de antidepressivos ao longo de sete anos, identificando padrões de dispensação, fatores relacionados e possíveis implicações para a saúde da população.
“Para a realização deste estudo, realizei a coleta de dados por meio de relatórios mensais digitais disponibilizados pelas farmácias participantes. Nas farmácias privadas, a análise considerou o número de caixas dispensadas, enquanto que na farmácia pública foi avaliado o total de comprimidos. Também utilizei pesquisas em bibliografias científicas, como Scielo e PubMed. A coleta dos dados foi realizada em julho de 2025, após a liberação dos locais de pesquisa”, explicou Elias.
Foram analisados dados de 1º de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de 2024, abrangendo exclusivamente a classe dos antidepressivos, classificados pelo primeiro e terceiro nível da classificação Anatomical Therapeutic Chemical (ATC). Foram considerados grupo farmacológico, princípio ativo e quantidade de saída por mês, preservando totalmente o anonimato de pacientes e prescritores.
Os dados foram organizados no Microsoft Excel e submetidos à análise estatística descritiva. Para variáveis qualitativas, como classe farmacológica e nome do medicamento, foram calculadas frequências absoluta e relativa. Para variáveis quantitativas, como a quantidade anual de medicamentos dispensados, utilizou-se a média aritmética para identificar tendências de aumento, queda ou estabilidade. A interpretação também considerou possíveis picos ou alterações na dispensação em função de eventos sociais ou sanitários, como a pandemia de Covid-19.
No período analisado, foram contabilizadas 88.681 caixas de antidepressivos, com crescimento progressivo ao longo dos anos. O ano de 2024 apresentou a maior dispensação, com 17.724 caixas, refletindo um aumento de 10,5% em 2018 para 20% em 2024, ou seja, a quantidade dispensada dobrou em seis anos. A farmácia pública concentrou 83,7% das dispensações. A classe mais utilizada foi a dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), com 55,7%. Os seis medicamentos mais dispensados foram: sertralina (26,5%), amitriptilina (26,4%), fluoxetina (16,5%), escitalopram (15,0%), duloxetina (9,4%) e paroxetina (6,1%), destacando-se o crescimento da sertralina e do escitalopram a partir de 2020.
“Observou-se que o perfil de dispensação dos antidepressivos mudou ao longo dos anos, especialmente com o impacto da pandemia. O aumento reflete o impacto psicossocial do período, a persistência da demanda por saúde mental pós-pandemia e a importância de políticas públicas que garantam acesso seguro e contínuo aos tratamentos farmacológicos”, destacou Elias.
Com a colação de grau marcada para 21 de fevereiro, Elias pretende seguir carreira na área hospitalar, onde realizou seu estágio final e desenvolveu novas habilidades profissionais.