
A egressa do curso de Nutrição da Unijuí, Brenda Franco Alves, realizou um importante trabalho de pesquisa voltada ao uso de Inteligência Artificial por nutricionistas. A pesquisa foi desenvolvida durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso no MBA em Digital Business da USP/Esalq e recebeu o título de “Percepção de nutricionistas sobre ética e segurança da informação no uso de inteligência artificial generativa na prática clínica”.
Conforme os resultados da pesquisa, os nutricionistas já estão usando a IA no dia a dia. Do total de participantes, 81,82% utilizam ferramentas de IA em suas práticas profissionais. No entanto, esse uso é mais focado em bastidores do que no atendimento direto. Ainda, 58,82% utilizam para produzir materiais educativos, 44,12% usam para criar conteúdo para redes sociais, e apenas 29,41% aplicam a tecnologia como apoio direto em atendimentos clínicos.
Os resultados apontaram que a grande vantagem é a eficiência operacional: 87,9% dos profissionais concordam que a IA reduz drasticamente o tempo gasto em tarefas burocráticas e repetitivas, o que permite ao nutricionista focar mais no que realmente importa: a estratégia nutricional e a atenção ao paciente.
A pesquisa também evidencia, no entanto, que a adoção ao uso da IA é acompanhada por significativa preocupação com a potencial dependência tecnológica e o impacto na autonomia profissional. A confiança inicial nas ferramentas foi baixa, conforme os dados apurados, e revelou-se o fator mais distintivo entre usuários e não usuários da tecnologia.
Os profissionais relatam alto conhecimento sobre a LGPD e o Código de Ética, porém eles reconhecem o despreparo da categoria para os desafios éticos e legais da IA, o que gera uma forte demanda por maior regulamentação. “O uso seguro e ético da IA na área exige equilíbrio entre regulamentação, educação continuada e supervisão humana, assegurando que a tecnologia atue como auxiliar e não como substituta da atuação profissional”, explica a egressa.
Segundo Brenda, desenvolver este trabalho foi um caminho de descobertas e conscientização, além de alguma forma juntar os dois universos de estudos dos quais gosta bastante.
“Como nutricionista, eu já acompanhava o avanço das redes sociais e da Inteligência Artificial no nosso cotidiano, percebendo a pressão por produtividade e a busca por ferramentas que otimizam o tempo. Mas ao mergulhar na pesquisa e ver que 81,82% dos nutricionistas já utilizam IA em suas rotinas, percebi que não estamos falando de uma tendência futura, mas de uma realidade presente que exige responsabilidade. E que os perigos do seu mau uso ainda não estão com a devida atenção”, comenta.
A egressa destaca que o que mais marcou na experiência foi notar o conflito entre o entusiasmo com a tecnologia e a preocupação em manter a essência humana. “Foi gratificante ver que, apesar da inovação, o nutricionista não abre mão da sua autonomia e entende que a IA jamais substituirá o olhar crítico e empático que dedicamos à Ciência da Nutrição e a cada paciente.”
A graduação na Unijuí, de acordo com Brenda, foi de extrema importância para o caminho profissional que ela tem buscado. “Minha graduação em Nutrição na Unijuí foi a base fundamental para que eu pudesse desenvolver este estudo e me tornar uma profissional que busca a inovação, mas sempre com o olhar empático e ético. Foi nas salas de aula, no consultório da Universidade, nas experiências compartilhadas pelos professores e no contato direto com a comunidade com os Projetos de Extensão que aprendi que a Nutrição vai muito além da prescrição dietética; ela é ciência, empatia e ética”, completa.

