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O Museu Antropológico Diretor Pestana (Madp) abriu, na noite desta quinta-feira, 5 de março, a exposição “Pessoas Trabalhando”, do artista visual Paulo Gobo. A abertura da exposição contou com bom público e a presença do artista, que contextualizou sobre a sua carreira, obras e trajetória no mundo da arte.
A mostra reúne 49 obras óleos sobre a tela) e propõe um diálogo com a comunidade sobre as ideias cristalizadas no senso comum em torno da temática do trabalho, levando em conta questões de gêneros, étnicas, entre outros, com o objetivo de confrontar falas recorrentes do cotidiano com aquilo que envolve homens e mulheres no mundo do trabalho.
“Mais de 80% da população questiona: mas você é só mãe? Além de pintar, você trabalha com o quê? Esta exposição traz justamente isso e busca fazer com que as pessoas se perguntem e repensem sobre essas frases recorrentes, que são ditas ao longo da vida, saindo do senso comum e indo além dessas questões”, destaca o Paulo Gobo.
Em relação à questão étnica, que é uma temática transversal da exposição, o artista visual busca inserir grupos que não são vistos em postos de trabalho recorrentes. “Busco questionar onde estão os negros no mercado de trabalho, por exemplo. Eu nunca tive pessoas negras sendo minhas professoras, então é nesse sentido que busco abordar este tema e fazer repensar sobre onde estão esses grupos”, comenta.
Sobre a questão de gênero, Paulo busca desmistificar a partir de suas telas, inserindo homens e mulheres em trabalhos originalmente tratados como do sexo oposto. “O que é trabalho de homem e o que é trabalho de mulher? Eu pinto o homem como empregado doméstico, e não a mulher, o bailarino, invés da bailarina. Quero brincar com isso, desmistificar e questionar como nos vemos neste mercado de trabalho”, complementa.
O conjunto de obras é uma exposição inédita, que amplia a reflexão sobre o que se entende por “trabalhar” e sobre quem é percebido como trabalhador, trazendo o tema para o campo da cultura e da experiência coletiva.
A abertura da exposição integra a programação cultural do Madp e reforça o compromisso institucional com a arte contemporânea e com exposições capazes de mobilizar debate público e participação. A visitação pode ser feita às segundas-feiras, das 13h30 às 17h, de terça à quinta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h, e nas sextas-feiras, das 8h às 11h30.


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