
A acadêmica Patrícia Grubert de Quadros, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unijuí, desenvolveu um Trabalho de Conclusão de Curso que evidencia o papel da arquitetura como ferramenta de inclusão e promoção do bem-estar. Intitulado “UNI-DUNI-TEA: Centro de Atendimento Multidisciplinar para Crianças e Adolescentes com Transtorno do Espectro Autista”, o projeto foi orientado pelo professor Tarcísio Dorn de Oliveira e propõe a criação de um espaço especializado, planejado para atender às necessidades sensoriais, emocionais e funcionais de pessoas com TEA.
A escolha do tema surgiu do entendimento da arquitetura como um campo que vai além da estética, podendo impactar diretamente a qualidade de vida das pessoas. “Sempre acreditei que a arquitetura vai além da estética e da construção, sendo capaz de impactar diretamente a qualidade de vida das pessoas. No contexto do autismo, identifiquei uma grande carência de espaços projetados especificamente para atender às necessidades desse público”, destaca Patrícia. Segundo a acadêmica, o objetivo do projeto foi desenvolver um ambiente que promovesse acolhimento, inclusão e conforto, contribuindo para o desenvolvimento e a autonomia de crianças e adolescentes com TEA, além de oferecer suporte às famílias e aos profissionais que atuam na área.
Para a construção do trabalho, foram utilizadas principalmente pesquisas bibliográficas, com base em artigos científicos, livros, normas técnicas, legislações e referências projetuais nacionais e internacionais. Patrícia também realizou análises de projetos existentes e buscou orientações com profissionais da área e familiares de pessoas com diagnóstico de autismo. “Esse contato direto possibilitou uma compreensão mais aprofundada das demandas reais dos usuários, auxiliando na tradução dessas necessidades em soluções arquitetônicas adequadas”, explica.
O desenvolvimento do TCC ocorreu ao longo de dois semestres, seguindo as etapas previstas no curso de Arquitetura e Urbanismo. Inicialmente, foi realizado um aprofundamento teórico sobre o autismo e a arquitetura humanizada, o que resultou na criação do conceito norteador do projeto. “Desenvolvi o conceito denominado Arquitetura do Invisível, que orientou as decisões relacionadas às sensações, emoções e ao conforto espacial”, relata. A partir desse conceito, foram realizadas as etapas de definição do programa de necessidades, estudos preliminares, partido arquitetônico e desenvolvimento do anteprojeto. Todo o processo envolveu revisões e ajustes constantes, buscando alinhar teoria, técnica e sensibilidade no desenvolvimento das soluções propostas.
Como principal resultado, o trabalho apresenta o anteprojeto arquitetônico de um Centro Multidisciplinar voltado ao atendimento de crianças e adolescentes com autismo, com ambientes planejados para garantir conforto sensorial, segurança, acolhimento e estímulo ao desenvolvimento. O estudo também reforça o potencial da arquitetura como agente de transformação social, contribuindo para a qualificação dos espaços terapêuticos e para a construção de ambientes mais inclusivos.
Após a formatura, Patrícia pretende atuar profissionalmente em diferentes áreas da arquitetura, com foco no desenvolvimento de projetos que aliem qualidade espacial, funcionalidade e sensibilidade. A arquiteta também planeja dar continuidade à formação acadêmica por meio de cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação, ampliando sua qualificação técnica e humanizada.