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A acadêmica Fernanda Isabel Krindges, do curso de Letras – Licenciatura (EAD) da Unijuí, desenvolveu um Trabalho de Conclusão de Curso que propõe uma reflexão crítica sobre os rumos da internacionalização no ensino superior, a partir de uma perspectiva inclusiva e plurilíngue. O estudo, orientado pela professora Fabiana Diniz Kurtz, tem como título “Internacionalização Inclusiva no Ensino Superior: uma revisão da literatura sobre EMI, Translinguagem e Políticas Linguísticas”.
A escolha do tema está diretamente ligada à trajetória acadêmica e pessoal da estudante, marcada por uma experiência internacional. Durante a graduação, Fernanda realizou um intercâmbio de seis meses na Letônia, por meio do programa Erasmus, vivência que ampliou seu olhar sobre o uso das línguas em contextos acadêmicos multiculturais. “Ao vivenciar um ambiente universitário internacional, no qual o inglês era frequentemente utilizado como língua de instrução, pude observar tanto as possibilidades de diálogo intercultural quanto as dificuldades enfrentadas por estudantes e professores em relação à proficiência linguística, às práticas pedagógicas e às assimetrias de poder entre línguas”, relata.
Segundo a acadêmica, essa experiência despertou reflexões sobre o papel do inglês como língua hegemônica e sobre a necessidade de políticas linguísticas mais inclusivas no ensino superior. “O intercâmbio, aliado à minha formação em Letras e à atuação docente, motivou a escolha do tema, levando-me a investigar como a internacionalização pode ser pensada para além de uma perspectiva monolíngue, valorizando o plurilinguismo, a translinguagem e a justiça linguística”, destaca.
O trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica exploratória, com análise de produções acadêmicas publicadas entre 2018 e 2025, localizadas principalmente nas bases Portal CAPES e Google Acadêmico. O processo de produção envolveu a seleção criteriosa dos textos, leitura interpretativa e síntese temática, organizadas em quatro eixos principais: políticas linguísticas e internacionalização; inglês como meio de instrução (EMI) e proficiência linguística; práticas institucionais de internacionalização; e perspectivas de internacionalização inclusiva.
A partir dessa organização, o estudo identificou convergências, tensões e lacunas teóricas presentes na literatura analisada. Entre os principais resultados, Fernanda aponta que o discurso da internacionalização ainda é fortemente marcado pela hegemonia do inglês e por lógicas de mercado. “Essas abordagens tendem a reforçar desigualdades linguísticas e epistemológicas”, observa, ressaltando a necessidade de repensar as políticas linguísticas no ensino superior, com maior valorização do plurilinguismo, da translinguagem e da justiça linguística.
Atualmente, Fernanda já atua como professora dos anos iniciais e foi recentemente aprovada no mestrado. Para o futuro, pretende dar continuidade à trajetória acadêmica e de pesquisa. “Espero aprofundar meus estudos na área de linguagem e educação e, a médio e longo prazo, atuar também na área de Língua Portuguesa, conciliando a prática docente com a pesquisa”, projeta. A colação de grau de Fernanda acontecerá no dia 13 de março de 2026, marcando o encerramento de uma etapa importante e o início de novos desafios na formação acadêmica e profissional.