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Apaixonada pelo estudo do desenvolvimento humano, a egressa do curso de Pedagogia da Unijuí, Letícia Eduarda Pereira Bottker, acredita que a neurociência tem muito a contribuir com a educação, pois permite compreender os processos cerebrais subjacentes à aprendizagem e ao desenvolvimento infantil. Não por acaso, ela levou esse interesse para o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “O desenvolvimento das funções executivas na Educação Infantil: a prática pedagógica como mediadora do processo de aprendizagem”.
“Ao estudar as funções cognitivas, emocionais e sociais, a neurociência ajuda a identificar fatores que favorecem ou dificultam a aquisição de habilidades essenciais, como as funções executivas — determinantes para o controle inibitório, a flexibilidade cognitiva e a tomada de decisões. Essas habilidades são fundamentais ao longo de toda a vida, influenciando o sucesso acadêmico, as relações interpessoais e a capacidade de adaptação a diferentes desafios”, explica a egressa, que contou com a orientação da professora Marta Estela Borgmann.
O TCC foi caracterizado como uma pesquisa de natureza qualitativa, com uso de revisão bibliográfica e investigação empírica. As fontes bibliográficas foram selecionadas com base em sua relevância e atualidade. A etapa empírica foi realizada por meio de um questionário aplicado via Google Forms a professores da Educação Infantil, tanto de escolas públicas quanto privadas. O objetivo foi avaliar o nível de conhecimento dos docentes sobre o desenvolvimento cerebral na infância e, em especial, sobre a importância desse período para o desenvolvimento das funções executivas.
“Por se tratar de um Trabalho de Conclusão de Curso, houve momentos em que me senti nervosa e ansiosa quanto aos resultados. No entanto, por ser um tema que me encanta e desperta meu interesse, cada avanço na pesquisa me motivava. Além disso, com o apoio e as orientações da minha professora, pude aprimorar minhas ideias e me sentir cada vez mais animada com o que estava produzindo”, relata Letícia.
Os principais resultados da pesquisa indicaram que as professoras da Educação Infantil reconhecem a importância do desenvolvimento das funções executivas na infância e já utilizam estratégias pedagógicas intencionais para estimulá-las. Entre essas estratégias, destacam-se jogos e brincadeiras que promovem o controle inibitório, a memória de trabalho e a flexibilidade cognitiva, como rodas de conversa, jogos de espera, atividades motoras e resolução de conflitos.
Entretanto, a pesquisa também revelou um conhecimento ainda superficial sobre conceitos do neurodesenvolvimento, como a poda neural e o funcionamento do cérebro na primeira infância. Embora as docentes demonstrem familiaridade com alguns aspectos da neurociência, a maioria relatou ter apenas um conhecimento intermediário sobre o tema, com variações nas respostas.
“Outro achado relevante foi que todas as professoras relataram conseguir identificar atrasos no desenvolvimento por meio da observação e da comparação com os marcos esperados. No entanto, elas também reconheceram a necessidade de apoio de especialistas, como psicólogos e neuropsicopedagogos, para encaminhamentos mais precisos”, complementa Letícia. Ela afirma que, por fim, os dados reforçam a importância da formação continuada dos professores, com foco no neurodesenvolvimento, como forma de enriquecer ainda mais as práticas pedagógicas e torná-las mais alinhadas às necessidades das crianças e ao seu potencial máximo de aprendizagem na primeira infância.
Agora graduada, Letícia pretende continuar se aprofundando no tema por meio de especializações, sempre buscando qualificar estratégias que favoreçam o desenvolvimento das crianças em sala de aula.