Painel trabalha os agrotóxicos e a saúde humana, a partir de abordagem envolvendo a Modelagem Estatística

Dando sequência aos painéis apresentados no Salão do Conhecimento 2021, ocorreu na tarde desta sexta-feira, 29 de outubro, promovida pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Modelagem Matemática e Computacional da Unijuí, a palestra “Agrotóxicos e a saúde humana: uma abordagem envolvendo a Modelagem Estatística”, abordada pela professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo, Iara Denise Endruweit Battisti. A condução da fala ficou sob orientação do professor Sandro Sawicki, da Unijuí.

Iara iniciou sua apresentação destacando a relação agrotóxico, saúde e ambiente, que está diretamente relacionada a três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: ODS 2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável; ODS 3 - Saúde e Bem-Estar; e ODS 6 - Água potável e Saneamento. Neste sentido, ela explicou cada tópico, dando destaque às necessidades e objetivos. Atrelado a isso, a professora destacou uma pesquisa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) em 2015, que demonstra  a problemática do agrotóxico na saúde, com a estimativa de que cada pessoa consumiu cerca de 7,3 litros de agrotóxicos por ano.

“Outro dado que nos preocupa muito é a quantidade de agrotóxicos registrados por ano no Brasil, em duas décadas, de 2000 a 2020. Uma tendência crescente de registros por ano, em 2015 intensificada. O que agrava ainda são os números de substâncias liberados aqui no Brasil, mas que na União Européia, onde as fabricantes estão, não são liberados." Iara reforça que esse é mais um agravante para a saúde do agricultor que está exposto diretamente, e também da população, que pode ter os resíduos dos agrotóxicos nos alimentos e na água. Além disso, a convidada abordou a legislação do uso do agrotóxico a nível nacional.  

No bate-papo, outro ponto abordado pela professora foi sobre a pesquisa epidemiológica, os desenhos de estudo que são aplicados. “Basicamente, temos dois tipos de estudo, o experimental e o observacional. Nós não temos como expor um grupo ao agrotóxico e outro não. A gente não faz o experimental e, sim, o observacional. A partir disso, temos quatro formas de desenho, conforme o que queremos evidenciar.”

Os desenhos de estudo, apresentados pela professora, são: o transversal, que estuda uma amostra em um determinado momento; o Coorte, que trabalha uma amostra ao longo tempo; e o Caso-controle, que utiliza dados agregados, relação entre indicadores. A partir disso, a nível de informação, Iara apresentou aos participantes o maior estudo em questão de abrangência geográfica, realizado pelo seu grupo de estudo, “Perfil ocupacional da exposição a agrotóxicos entre agricultores 2018-2019”. Ela finalizou o painel com a apresentação do documentário sobre as pesquisas realizadas pelo grupo: “Da pesquisa para a tela: agrotóxico e saúde do trabalho rural”.


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