Relação entre algoritmos, democracia e educação foi tema de formação de professores

            

O Programa de Mestrado em Sistemas Ambientais e Sustentabilidade promoveu uma formação aos docentes nesta segunda-feira, 24 de agosto. O convidado foi o Prof. Dr. Amir Limana, que está em pós-doutoramento em Roma, na Universidade de Sapienza, Itália. Ele já atuou como docente da Unijuí, tendo, neste encontro, pautado a fala na obra de Giuliano Da Empoli, intitulada “Engenheiros do Caos”, que é jurista de formação, escritor e jornalista. Está fortemente implicado com as redes sociais, como as fake News, teorias da conspiração e os algoritmos que estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar nas eleições em diversos países, como no Brasil. Participaram do debate, coordenado pelo professor Roberto Carbonera, professores dos programas de pós-graduação da instituição e convidados externos.

O “Big Data’ constitui a fonte de acesso aos dados de cada cidadão, individualmente, e direciona informações de forma a cooptar adeptos. “Se o algoritmo das redes sociais é programado para oferecer ao usuário qualquer conteúdo capaz de atraí-lo com maior frequência e por mais tempo à plataforma, o algoritmo dos engenheiros do caos os força a sustentar, não importa que posição, razoável ou absurda, realista ou intergaláctica, desde que ela intercepte as aspirações e os medos, principalmente os medos, dos eleitores” (Da Empoli, p. 13). “Claramente, constata-se que o estado democrático de direito, assim como o livre arbítrio, está sob ataque dos algoritmos que vêm mudando as regras do jogo político e a face das nossas sociedades. Ou seja, um trabalho árduo de ideólogos e, cada vez mais, de cientistas e especialistas do Big Data, sem os quais os atuais líderes populistas nunca teriam chegado ao poder. É a inteligência artificial manipulando o destino humano”, destacou o professor Amir.

O palestrante reforça: “aos olhos dos seus eleitores, as deficiências dos líderes populistas se transformam em qualidades. Sua inexperiência demonstra que não pertencem ao círculo da "velha política" e sua incompetência é uma garantia da sua autenticidade. As tensões que causam, em nível internacional, são vistas como mostras de sua independência, e as fake news, marca inequívoca de sua propaganda, evidenciam sua liberdade de pensamento. Questionam-se e negam-se evidências científicas, a terra pode ser plana! A simplificação substituiu um processo de mediação construtiva da sociedade”.

                 

Diante do contexto exposto, ficou um grande questionamento aos participantes: o que nos salvará nesse contexto em que a civilidade e a democracia estão ameaçadas? “A Educação! Ela que, assim como a ciência, está sob ataque nesse projeto. Cabe resgatar o caráter humanista reflexivo da educação, da possibilidade de reestabelecermos um diálogo acerca de referenciais críticos, da complexidade do mundo”, projetou. Segundo o professor Amir, urge agirmos coletivamente resgatando a capacidade de diálogo para não sermos tragados por esse projeto de ignorância militante orquestrado em redes sociais.

 "Agradecemos aos colegas que participaram do debate e nos enriqueceram com suas contribuições, resgatando nossa esperança de um mundo melhor e mais justo”, avalia o professor Roberto Carbonera, coordenador da atividade.


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