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No dia 28 de março, o Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais e Sustentabilidade (PPGSAS) da Unijuí, por meio da disciplina de Fundamentos de Ciências Ambientais, marcou o início do semestre letivo com a palestra do professor doutor Carlos Alberto Cioce Sampaio. Com destacada produção acadêmica em defesa do meio ambiente, o convidado é uma figura central na consolidação das Ciências Ambientais no Brasil, sendo um dos fundadores e atual coordenador da Área de Ciências Ambientais da CAPES.
A partir do tema “Educação para o desenvolvimento sustentável: da emancipação à ecoformação”, o professor Sampaio apresentou elementos técnicos e destacou a necessidade de redefinir a relação com o planeta e com o próprio conhecimento, promovendo uma reflexão sobre o papel da educação diante da emergência climática.
Com base em dados das Nações Unidas, evidenciou o “paradoxo” de que países com melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e maior escolaridade são, estatisticamente, os que mais poluem e consomem recursos naturais. “Quanto mais estudo, maior a chance de gerar renda e, consequentemente, maior a emissão de dióxido de carbono no planeta. Onde estamos errando?”, questionou. Para o professor, a educação falha ao reforçar o Antropoceno — era em que o ser humano se coloca no centro absoluto do mundo, tratando a natureza como “recurso”, e não como um bem sagrado ou um plano de vida compartilhado.
O professor também enfatizou a importância do saber popular, utilizando como exemplo a Terra Preta da Amazônia, uma tecnologia milenar desenvolvida por povos originários, que antecede a ciência laboratorial. Para ele, isso evidencia que a ciência deve, inevitavelmente, dialogar com a ancestralidade.
O conceito de Eco-Sócio-Econômico, apresentado pelo professor Sampaio, propõe que os sistemas econômicos, sociais e ecológicos busquem o desenvolvimento sustentável em vez do crescimento infinito. Defende ainda que a economia de mercado é apenas uma das formas possíveis de organização da vida, e não a única. Nesse sentido, instigou os alunos a buscarem uma educação afetiva — uma educação que se importa com as pessoas para além do ambiente universitário — incentivando-os a expandir seus horizontes para além de seus campos de estudo. Ressaltou a importância de uma formação que liberte o indivíduo de uma visão fragmentada do conhecimento e que incorpore a variável ecológica como parte essencial da equação do desenvolvimento, e não apenas do lucro.
Por fim, destacou que o sucesso de um mestre ou doutor não se mede pelo título, mas pelo impacto de sua ciência na vida das pessoas fora dos muros da universidade.
A aula foi encerrada com reflexões de colegas e alunos, como a professora aposentada Sandra Fernandes, que ressaltou o quão oportuno e enriquecedor foi o encontro, e do professor Roberto Carbonera, coordenador do evento, que destacou a urgência de transformar essas reflexões em ações práticas no território, especialmente após os eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul.
Texto elaborado pela Mestranda do PPGSAS, Maria da Graça Brizola Mayer