
A doutoranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Unijuí, Cláudia Guimarães Scherer, participou do encontro do GT de Turismo do Impulsa Ijuí – Ecossistema de Inovação, onde apresentou uma reflexão sobre o turismo cultural, turismo étnico, território e desenvolvimento regional. A atividade teve como proposta ampliar o debate sobre o potencial turístico de Ijuí a partir de sua diversidade cultural e étnica.
Orientanda do professor Jorge Oneide Sausen, Cláudia abordou inicialmente as diferenças entre turismo cultural e turismo étnico, destacando que, enquanto o turismo cultural tem a cultura como elemento central da experiência, o turismo étnico está relacionado à identidade, à memória, ao pertencimento e aos modos de vida de grupos étnicos específicos. A abordagem apresentada também ressaltou a importância de evitar a folclorização das culturas e de garantir a participação e a autorrepresentação das comunidades envolvidas.
A discussão ganhou uma perspectiva territorial ao considerar a trajetória de formação multiétnica de Ijuí, que reúne mais de 30 grupos étnicos relacionados à constituição do município. A cidade recebeu, em 2022, o título de Capital Mundial das Etnias, reconhecimento que, segundo a reflexão apresentada, pode ser compreendido como um ativo territorial a partir do qual podem ser construídas novas experiências turísticas.
Durante a apresentação, a doutoranda propôs uma mudança de perspectiva: mais do que apresentar as etnias e seus patrimônios, Ijuí pode transformar sua diversidade cultural em narrativas, experiências, roteiros e produtos turísticos, capazes de gerar a permanência dos visitantes, circulação de renda, valorização cultural e fortalecimento da identidade territorial. Entre as possibilidades trazidas estão uma Rota das Etnias, experiências gastronômicas, roteiros sobre a história da imigração, vivências relacionadas às línguas, música e oralidade, além de experiências envolvendo memória, artesanato, gastronomia, dança e saberes tradicionais.
Outro ponto destacado foi a necessidade de compreender o turismo étnico como parte de um ecossistema turístico, envolvendo patrimônio, pessoas, narrativas, experiências, empreendedores, infraestrutura, comunicação, tecnologia e governança. Nesse sentido, a atuação articulada entre universidade, poder público, empresas e sociedade civil, por meio da lógica da quádrupla hélice, pode contribuir para transformar a diversidade cultural de Ijuí em uma estratégia de inovação e desenvolvimento territorial.
Para Cláudia, o desafio não está em criar uma identidade turística para Ijuí, mas em organizar, interpretar, comunicar e transformar em experiência uma identidade que já foi construída ao longo da história do município. A proposta apresentada também reforçou que o principal patrimônio turístico da cidade são as pessoas que dão significado às manifestações, espaços e tradições culturais.
A participação da doutoranda no GT de Turismo aproxima a produção acadêmica do PPGDR das discussões que integram o ecossistema de inovação do município. A iniciativa também evidencia a contribuição da Universidade para a reflexão sobre desafios concretos do território e para a construção coletiva de alternativas relacionadas ao turismo e ao desenvolvimento regional.
A atividade foi encerrada com uma dinâmica de integração, na qual os participantes foram convidados a pensar sobre experiências que um turista poderia vivenciar em Ijuí e que dificilmente encontraria em outra cidade, considerando ainda quais pessoas ou comunidades deveriam estar no centro dessas experiências e como elas poderiam ser desenvolvidas durante todo o ano, para além do período da Expofest.
A reflexão proposta sintetiza-se na provocação apresentada ao GT: “Que experiência queremos que o visitante leve de Ijuí — e que desenvolvimento queremos que fique para quem vive aqui?. Para a doutoranda, é justamente no encontro entre turismo, cultura, inovação e desenvolvimento regional que pode estar uma oportunidade para Ijuí avançar da condição de Capital Mundial das Etnias para um destino de experiências culturais.